ESPAÇO ABERTO - Ética e política na contemporaneidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2004
Clodomiro José Bannwart Júnior 
Os gregos não foram originais apenas na realização dos Jogos Olímpicos, foram-no também ao imprimir o cânone do pensamento ocidental que, por mais de dois milênios, ainda serve de arquétipo para as nossas instituições e formas de vida. Quando pela primeira vez os gregos refletiram sobre ética, estavam fundamentalmente preocupados com a finalidade da ação humana dentro de suas estruturas sociais.
O fim último almejado pelo homem consistia em realizar plenamente as suas potencialidades, as do ser humano, e alcançar o bem comum partilhado por todos os cidadãos da pólis. A reflexão que incidia sobre o agir humano não era desvinculada do solo em que vigorava as instituições políticas, vigiam seus valores e se participava da democracia. Pensar a ética para o grego era refletir sobre a política, sendo verdadeiro também o inverso.
Nós, infelizmente, não conseguimos manter o vínculo entre ética e política em nossas reflexões. Talvez, daí provenha tamanha preocupação quando questões éticas nos são colocadas. Parece até que a ética é apenas um termo de retórica daqueles que se esforçam por demonstrar que suas atitudes são honestas e honrosas, quando na verdade não são, e a política, um termo desgastado que, no jargão popular, se inclui entre aquelas coisas que não se discutem.
Porém, a configuração das nossas atuais sociedades desenvolveu fenômenos tecnológicos de caráter inédito que exigem um repensar da ética e da política.
Podemos citar os problemas que resultam do nascimento de mercados e moedas comuns que apontam para uma crescente globalização da economia das nações; o desenvolvimento acelerado das diversas tecnologias de informática que associadas às de telecomunicações passaram a permitir a transmissão de dados e informações em tempo real, configurando as relações humanas em um novo hábitat designado pela idéia de ''aldeia global''; e, ainda, atividades de biotecnologias que envolvem manipulações genéticas, as quais implicam em questionamentos sinalizadores de efeitos e proporções desconhecidas.
Essas alterações de dimensão tecnológica trouxeram problemas que exigem esforços para pensá-los em um nível mais amplo. Talvez, o maior desafio da ética, hoje, esteja na capacidade reflexiva de o homem transcender seus valores particulares e desenvolver parâmetros normativos universais capaz de dirimir os problemas e conflitos oriundos dessa configuração global.
Essas e outras questões estarão sendo debatidas no I Simpósio Nacional de Filosofia sobre Ética, Política e Linguagem que está acontecendo esta semana na Universidade Estadual de Londrina. Os interessados em obter mais informações sobre o evento pode entrar em contato pelo telefone (43) 3371- 4486.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina


