ESPAÇO ABERTO - Escola e pais: inimigos ou aliados?
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de novembro de 2004
Mary Neide Damico Figueiró 
Atualmente, a maioria dos pais reconhece a necessidade de ser trabalhada a Educação Sexual na escola. Merece atenção especial o incidente acontecido na Escola Municipal Edmundo Odebrech, de Londrina, no final de outubro (já relatado por profissionais da ALIA, no Espaço Aberto do dia 12), no qual radialistas da Rádio Brasil Sul promoveram sensacionalismo quando um pai foi até eles queixar-se de que a professora da 4 série emprestou livros de Educação Sexual para a filha levar para casa. Tive interesse em visitar a escola e conhecer a professora, dispondo-me a ouvir ''o seu lado da história''. Posso assegurar aos professores, pais e comunidade em geral que tomaram conhecimento do incidente, que a professora desenvolve um trabalho com profissionalismo, com competência técnica e, sobretudo, com muito amor, carinho e respeito pelos alunos.
Quanto ao material didático utilizado por ela, asseguro que é apropriado; esclarece a verdade sobre de onde vem os bebês, ou seja, explica sobre a relação sexual, descrevendo-a de forma positiva e natural; destaca a importância do amor; traz ilustração séria de um casal mantendo relação sexual. Atualmente, a maioria dos livros de editoras idôneas apresentam ilustração do mesmo porte. Não há problema que a criança veja o desenho explicativo. Nada é sujo, nada é feio, a não ser na mente poluída dos adultos que foram criados com referencial distorcido.
Mesmo que a criança já ouviu falar sobre sexo, de forma obscena, ao ouvir a professora explicar de forma positiva, vai ter um riquíssimo contraponto. Isto não estimula a criança a fazer sexo, pelo contrário. Pesquisas mostram que as crianças cujos pais e professores ensinam com seriedade sobre o assunto vão deixar para iniciar-se sexualmente mais tarde que as demais, porque passam a entender a responsabilidade de tal ato. ''Não devemos ter vergonha de falar, do que Deus não teve vergonha de criar'', afirmou São Clemente.
Queridos professores, não se deixem abater. Quando estamos seguros de que o que ensinamos para nossos alunos é fundamental para a vida, saberemos estar preparados para enfrentar dificuldades como essa. Criemos espaços onde pais possam participar de momentos de reflexão sobre o que vem a ser Educação Sexual, como a escola trabalha e como eles podem contribuir.
Queridos pais, quando tiverem dúvidas quanto à Educação Sexual desenvolvida na escola, procurem o/a professor/a para conversar. Queixar-se a um radialista é o mesmo que procurar um dentista para tratar a dor de estômago. Contribuir para sensacionalismo na mídia só confunde e prejudica os filhos.
Não sejamos covardes e, portanto, coniventes com os problemas que advém da falta da Educação Sexual. Unamos nossos esforços para educar para a felicidade e evitar o caminho da hipocrisia e do conservadorismo arcaico.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina


