Espaço aberto - Era uma vez a Lava Jato


Equipe FOLHA
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“Atualmente, a operação conta com desdobramentos na primeira instância no Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, além de inquéritos e ações tramitando no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar fatos atribuídos a pessoas com foro por prerrogativa de função. Pelo menos 12 países iniciaram suas próprias investigações a partir de informações compartilhadas por meio de acordos de cooperação internacional. Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres públicos esteja na casa de bilhões de reais. Soma-se a isso a expressão econômica e política dos suspeitos de participar dos esquemas de corrupção investigados”. (Fonte: http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/lava-jato/entenda-o-caso)

Impressionante como manobras espúrias acontecem em nosso país. As peças vêm sendo mexidas com muito astúcia e inteligência, ao longo do tempo, até o encaixe final pretendido, e ele está próximo. A maior e mais contundente operação da história contra corruptos de todos os matizes chega, melancolicamente, ao que parece, a seu fim.



Quando surgiu, em 2014, era só mais uma dentre muitas operações do MPF e da polícia federal, no entanto, os investigadores, ao puxarem um “abacaxi”, trouxeram toneladas deles. A operação encorpou, tomou vulto e chegou a 70 fases, com buscas e apreensões, prisões, condenações a mais de uma centena de figuras conhecidas e recuperação de bilhões. Levou um ex-presidente da República a cumprir prisão (pouco tempo pelos seus crimes) e mantém um ex-presidente da Câmara segregado da sociedade, bem como um ex-governador. Malas, apartamentos, caixas, e muito mais, para embalar (com trocadilho) o dinheiro desviado e a vida fausta e nababesca dos bandidos.

Agora, tal qual a Operação Mãos Limpas, foi decretado seu fim (isso mesmo, o fim da Lava Jato). Se na Itália mataram juízes, aqui buscam assassinar, dia a dia, as reputações daqueles que buscaram, e cumpriram, a lei. Desde a saída do ex-Juiz Sérgio Moro, a operação vem sendo “sangrada”, atacada e vilipendiada, covardemente, pelo crime organizado, a saber, políticos, empresários, advogados, ministros e o recém aparecido executor que se colocou a serviço do sistema.

Promove o desmanche total da operação, se reúne com advogados dos réus, procura retirar a independência funcional dos procuradores, mesmo contra a lei, tece críticas, dando conhecimento a todos de sua insatisfação com as forças tarefas da Lava Jato.

A de São Paulo não existe mais, no STJ também não e a de Curitiba está próxima ao fim, pois o tiro de misericórdia foi desferido - a saída do procurador Deltan Dallagnol (recebeu, inclusive, pena de censura imposta pelo CNMP) se deu para cuidar da família, presente inestimável de Deus e, portanto, inegociável, mas, por certo, toda pressão exercida no curso da operação, enfim, frutificou. Há alguma dúvida que os procuradores, os policiais, delegados, o magistrado e todos que, de alguma forma, estavam no time, não tiveram suas vidas reviradas?

É assim que funciona, quem você não compra, você elimina, “o sistema é bruto, parceiro” Capitão Nascimento, Tropa de Elite.

Neste circo, não poderia faltar o “jornalista” Glenn Greenwald e seu famigerado Intercept, isso mesmo, aquele que invadiu celulares da República e roubou mensagens privadas com ajuda de hackers. Algo totalmente ilegal, crime. A verdade é que das tais mensagens nem a autenticidade foi comprovada ou reconhecida. Parte dos atores que se uniram para liquidar a Lava Jato, também anularão (num empate de 2x2 na segunda turma) as sentenças proferidas contra o ex-presidente e ex-presidiário Lula, trazendo-o de volta ao cenário político, com vistas às eleições de 2022. Sabe-se, aos quatro cantos, que o ministro Gilmar Mendes é ferrenho detrator dos procuradores de Curitiba, assim como alguns de seus pares – não perderão a chance de mais um 2x2 libertador.

Assim, está formado o picadeiro: os autos de suspeição do então juiz Sérgio Moro, o mágico STF, o malabarista Intercept, o equilibrista da PGR, os palhaços, que somos nós, e a alma mais honesta do mundo e suas condenações. Nesse show, com tantas “provas”, anularão as sentenças proferidas e, assim, livre, leve, solto, e ficha limpa, ressurge o emblemático Lula, o mesmo que montou o maior e mais perverso esquema de corrupção do mundo. Não é ideologia, venceu o crime, mais uma vez.

É esperar para ver, acorda gente!!! Simples assim!!!




Antonio Valeriano Antunes Lopes é auditor aposentado do Ministério

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