No dia 9 de novembro de 1989, o mundo viu estarrecido e assustado a queda do Muro de Berlim, símbolo da ''Guerra Fria'', e, ao mesmo tempo, a emergência de novos movimentos políticos, econômicos, sociais e geopolíticos, num assustador e inquietante dançar histórico, que causaria profundas e incontroláveis mudanças para a humanidade.
Trata-se da Terceira Revolução Industrial, do avanço do neoliberalismo, da formação de blocos econômicos, do crescimento das desigualdades sócio-econômicas entre os países ricos e pobres e do predomínio do capitalismo. E países como o Brasil, nos anos 90, entraram nesse jogo geopolítico, provocando mudanças internas, como por exemplo, na sua estrutura educacional.
Lamentavelmente, essas questões provocaram o nascimento de uma era de incertezas quanto ao futuro e à própria existência da universidade pública brasileira, como a UEL, por exemplo, devido às chamadas ''incerteza conjuntural'', ''incerteza econômica'' e ''incerteza funcional''.
Primeiramente, apesar da atual conjuntura mundial recomendar o forte investimento em educação, conhecimento, ciência e tecnologia nacional a ''incerteza conjuntural'' é um obstáculo para o crescimento e a atuação das universidades públicas no Brasil.
O país adotou uma política educacional ambígua, pois aparentemente investiu pesado no ensino superior com a criação do Exame Nacional de Cursos, o ''Provão'', elevação do número de vagas universitárias e melhora na infra-estrutura. Contudo, observou-se uma degradação da estrutura universitária, redução do número de bolsas de iniciação científica e dos prazos para conclusão dos cursos de mestrado e doutorado, desvalorização salarial de professores e funcionários e desatualização de acervos bibliográficos em prol de uma educação quantitativa e estatística.
Já a ''incerteza econômica'' baseia-se na política do governo brasileiro, seja federal ou estadual, defensora de uma universidade produtiva e pouco onerosa que possa representar menos gastos públicos contribuindo para a diminuição do déficit e da dívida pública. Várias universidades públicas passaram a cobrar pelos seus serviços, a ter metas de produções científicas e buscarem lucros, comportando-se como empresas privadas.
Assim sendo, o maior desafio para a existência da universidade pública é a ''incerteza funcional'', concernente ao papel que terá na nova sociedade tecnológica: a de formadora de trabalhadores qualificados para atender o mercado de trabalho ou a de construtora não só de profissionais, bem como de cidadãos e seres humanos que refletem e agem em benefício das resoluções de problemas sociais. Ocorre que o Estado brasileiro, ao que parece, optou por uma universidade pública como um centro tecnológico, preparadora de mão-de-obra alienada, individualista e despolitizada para o apetite voraz do mercado e reprodutora e ratificadora do ''status quo'' vigente.
Por fim, para se reverter essa era de incertezas que assombra a instituição pública universitária no Brasil, faz-se necessário democratizar a sua estrutura, acesso, produção científica e funcionamento, aproximando-a da população mais carente. Nesse sentido, conscientizar a sociedade, imprensa, alunos e docentes universitários sobre a sua inegável importância é o caminho para que, juntamente com o governo, possam construir, através de uma política educacional e científica qualitativa e genuinamente brasileira, uma universidade verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade, resgatadora da condição humana perdida pelo homem.
SANDRO HELENO MORAIS ZARPELÃO é bacharel em Direito e professor de História e Geografia em Londrina

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