A reportagem publicada pela Folha, no último dia 7, de que diretores querem adiar início das aulas por que as escolas ainda não dispõem de equipe técnico-pedagógica e corpo docente definidos, mostra uma postura além de admirável, muito racional e profissionalmente corretíssima por parte dos Diretores de Escolas Públicas de Londrina e região. Já era passada a hora de trazer às claras a questão da ocupação dos cargos de Supervisor Escolar e Orientador Educacional por profissionais não habilitados.
O fato é que desde os anos 80, as escolas começaram a perder, lenta e gradualmente, suas equipes pedagógicas. Um dos principais fatores que levou ao desmantelamento das equipes foram as críticas sistemáticas de alguns educadores de algumas universidades em relação à formação e ao exercício profissional dos especialistas da educação. Sob o argumento de que o trabalho desenvolvido pela equipe pedagógica era apenas técnico-burocrático para atender aos ideais desenvolvimentistas do poder instituído, o movimento levou à quase extinção das funções do Supervisor Escolar e do Orientador Educacional nas escolas públicas especificamente. No caso do ensino privado se tem notícias de que há um Coordenador Pedagógico (CP) conduzindo o processo educativo na escola.
Fundamentadas na tese do ''enxugamento de pessoal'' muitas secretarias de Educação interromperam a via de ingresso oficial por concurso público aos especialistas da educação, sob alegações de ordem financeira para a não-criação de novos cargos. Deste modo, o desempenho das funções de Supervisor e de Orientador nas escolas resultou, por economia, em função de Coordenador Pedagógico. A ocupação das vagas foi sendo indicada pelo Núcleo Regional de Educação e/ou pelo diretor da escola. Nesta perspectiva, todo e qualquer professor poderia ser o CP.
A formação dos Supervisores, Orientadores, Inspetores e Diretores de Escolas oficializou-se no Brasil com a Reforma do Ensino Superior (Lei 5.540/68) com os Cursos de Pedagogia, segundo o Parecer 252/69 do CFE, cuja instituição se deu aos desígnios da pressão política do regime militar instalado em 1964. Hoje se pode encontrar uma variedade de habilitações voltadas para a atuação do pedagogo também em outros âmbitos do mercado de trabalho (empresarial, informática, hospitalar, rural e outros) mantendo-se ou substituindo as habilitações originais do Curso de Pedagogia. Deste modo, as críticas desencadeadas nos anos 80 mostram hoje os seus resultados - equipes pedagógicas desmanteladas e coordenações pedagógicas desabilitadas - equacionados e perceptíveis aos olhos da sociedade, revelando a situação em que se encontra o ensino no Brasil.
Por isso, além de admirável, é muito racional e profissional a postura dos 127 diretores da AGEP-Londrina que não desistem, apesar dos 30 anos de convivência com a disfuncionalidade profissional, exigindo a volta de uma Equipe Pedagógica forte constituída por profissionais habilitados para, juntos com os professores, conduzirem o processo de ensino e de aprendizagem sem comprometimentos em relação às questões da qualidade do ensino.
LÚCIA AMARAL HIDALGO é coordenadora e docente da Área de Supervisão Escolar do Departamento de Educação, no Centro de Educação, Comunicação e Artes da Universidade Estadual de Londrina

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