Informo que a posição de neutralidade tomada em reunião ordinária do nosso partido foi por maioria esmagadora, em discussão aberta e, portanto, amplamente democrática. Ao contrário do que muitos podem imaginar, a condição de neutralidade é uma posição política que deve ser respeitada e - nem de longe - significa omissão já que valoriza ainda mais aquele que adota tal postura, pois demonstra o desinteresse pessoal e a preocupação com o bem comum.
Nossa posição se choca frontalmente com a decisão de alguns políticos ou agremiações que vislumbram num eventual ''apoio'' de segundo turno à conquista de cargos ou favores pessoais. Não podemos comungar também com aqueles que anunciam apoio e não participam da campanha ou daqueles que se dizem neutros e assumem este ou aquele candidato em troca de benesses.
O PDT prefere se manter coeso com a linha partidária e ideológica traçada pelo presidente estadual do nosso partido, senador Osmar Dias. Após as eleições municipais, o partido passará por um processo depurativo em que os que não comungam com este pensamento ou que acendem vela pra Deus e o Diabo não podem permanecer em nossas hostes.
Esta foi, portanto, uma posição de coragem e de coerência com o que pregamos durante toda a campanha. Se critiquei ambos por se revezarem no poder municipal nos últimos 16 anos, numa relação ambígua de incestuosidade, como terei moral para apoiar este ou aquele candidato?
É isto que nos diferencia de outros partidos, pois o PDT não objetiva apenas e tão-somente a chegada ao poder por um simples projeto pessoal, político ou partidário. Quando eu e o Chico Galli nos aliamos, a nossa intenção era a proposição de um novo rumo para Londrina; uma proposta de mudança, de verdade.
Os dois candidatos que aí estão significam o continuísmo de um modelo administrativo falido, calcado no personalismo populista ou no centralismo partidário que beira o facismo. Portanto, em respeito ao eleitor, estou transferindo a ele a responsabilidade de quem votar.
Quem deve decidir com a sua consciência é o próprio eleitor, por isto é que o voto é secreto: para que ele sozinho decida em quem votar. Não acredito em transferência de voto. Isto é coisa de caudilho, comum num período nefasto que não combina com a noção de modernidade que defendemos para nossa cidade. Não posso ser avalista daquilo que condenei até pouco tempo atrás.
Além do mais, não sou dono das consciências dos quase 30 mil eleitores que depositaram a confiança em meu nome. Aliás, aprendi a ser humilde e políticos mais experientes ensinam que o candidato só possui, na verdade, os votos que recebe no dia da eleição. No dia seguinte, a única certeza é que ele pode contar apenas com o seu próprio voto e o de ninguém mais.

BARBOSA NETO é deputado estadual pelo PDT

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