A natureza divina é tão prodigiosa que criou em todas as coisas as sementes, para que se reproduzissem e perpetuassem a espécie. Assim também fez com o ser humano, possibilitando-lhe gerar, em si, outro ser carnal para ser o receptáculo de uma alma que vem para realizar sua trajetória terrena.
E por que a alma, que é originária da luz e brotou do coração de Deus, desejou incorporar-se na Terra e sofrer as agruras inerentes a esta baixa densidade planetária? Foi para evoluir em sua maestria, ou para exercer missão voluntária, ou simplesmente doar-se e divinizar o planeta, naturalmente que a partir daí sujeitando-se a idas e vindas para a correção de erros anteriores.
A passagem terrena pode representar alguns milênios, através de contínuas transmigrações da alma. O que nada significa no cronômetro da eternidade, mas contabiliza-se no corpo físico, em face de sua dimensão e pela necessidade de nascer/crescer/morrer, o que demanda tempo e repetições de tempo, para possibilitar o experimento da vida nesta dimensão em que estamos.
Chegará o dia em que isso se concluirá, levando menos ou mais tempo segundo os avanços e atrasos de cada um. Terá chegado então a hora da ascensão, quando estarão eliminados todos os resquícios nefastos de pensamentos, sentimentos, palavras e atos.
Não temos a idade do nosso registro de nascimento e sim a idade dos ''tempos eternos''. Somos, portanto, muito ''velhos'' no universo, embora o termo seja apenas recurso verbal, pois a essência é substância de luz (à semelhança de Deus) e não está sujeita às amarras do tempo linear.
Quando a humanidade conscientizar-se acerca do processo da transmigração, passará a compreender porque as coisas acontecem e a forma como acontecem, e assim compreenderá a razão da vida e da morte e todos os seus incidentes. Saberá então que cada morte física é, na verdade, um renascer e a reaproximação progressiva ao nosso lugar de origem, que será afinal o nosso lugar de retorno definitivo, sem mais passagens pela experiência da carne.
O processo das vidas sucessivas nesta paragem tridimensional é longo e extenuante, porque temos repetido os mesmos erros. Tivéssemos lembrança nítida dos propósitos que fizemos a cada véspera de vir para cá, tal ocorreria com menos frequência, mas o esquecimento foi desejo nosso, ou não haveria mérito em nossa experienciação terrena, porque o amor e a virtude devem ser exercidos justamente nas adversidades, para que se opere a doação.
A natureza divina deu-nos, assim mesmo, o privilégio da consciência, e ela nos fala, embora a ouçamos pouco. Quando uma voz que nos vem de dentro desaprova nossos impulsos, palavras e ações, é a voz da consciência nos alertando. Ela se manifesta também pela intuição. Orai e vigiai, como está escrito, quer dizer exatamente isto: ficar atento, não apenas aos acontecimentos do mundo exterior mas sobretudo ao sussurro de nossa suprema essência. Nós não somos o que vemos ao nos mirar no espelho. Isto é o ilusório. O que realmente somos é invisível aos olhos carnais.
WALMOR MACARINI é jornalista

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