Encontrar as universidades públicas brasileiras com estrutura física maltratada e desgastada, não parece ser motivo de espanto para nenhum cidadão que as frequenta. Porém, o que difere estes estabelecimentos públicos dos modernos prédios privados que abrigam faculdades por todo o território nacional? Seria o nível dos professores? O material utilizado para aprendizagem?

O que difere a qualidade das instituições públicas no Brasil quando comparadas com as privadas ainda é o nível dos estudantes. Embora os atuais processos seletivos sejam absurdamente concorridos e desumanos, é por meio deles, e, por enquanto, somente por meio deles, que se torna possível selecionar, na maioria das vezes, os melhores.

Obviamente, não se deve condenar as instituições privadas e seus alunos. Muitas delas possuem um bom nível de ensino, bem como discentes de qualidade. No entanto, usando de bom-senso e lógica, é possível concluir que processos seletivos concorridos para universidades gratuitas e renomadas selecionam mais quando comparados a testes de seleção menos concorridos para universidades pagas.

Porém, percebe-se hoje, certo movimento a favor da instituição de cotas para pessoas que se autodeclararem negras e pobres. Além do que vem sendo dito por muitos com relação à inconstitucionalidade da medida, sob o aspecto de tratar iguais de forma desigual, a política de cotas consegue ainda causar danos práticos que não podem deixar de ser relevados.

O que seria de uma sala de aula na qual os próprios integrantes sabem que houve uma discriminação para seleção dos estudantes? Como seria o tratamento de um aluno que passou após muita dedicação em relação ao que passou por meio de cotas? E o conteúdo psicológico dos negros, que, com a aprovação desta reserva de vagas têm sua capacidade obrigatoriamente rebaixada de nível? Não é possível aceitar que esta medida seja aprovada sem que haja algum tipo de conflito interno nas universidades, sem que a discriminação racial sofra um novo lapso de ascensão, fazendo o homem questionar seus próprios direitos e garantias.

Desigualdades existem, mas não se pode solucionar o problema de forma equivocada. Não são as cotas que farão a educação do cidadão brasileiro aprimorar-se. Faz-se necessário permitir o acesso de todos à educação básica, aprimorar muito a capacidade das escolas públicas de ensino médio, viabilizar a existência de bons cursos públicos pré-vestibular, para que, então, automaticamente, todos estejam aptos à participação do processo seletivo.

Cultuemos a justiça! Mas não aquela que visa pôr fim às desigualdades alimentando a discriminação, criando mais desigualdades. Cultuemos a justiça que segue os passos de uma justiça ideal, aquela que busca dissipar todo e qualquer atrito existente dentro do ordenamento jurídico.

THIAGO CONTE LOFREDO TEDESCHI é estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina

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