Entre os parâmetros que diferenciam cidades, regiões e países desenvolvidos tecnológica e industrialmente dos não desenvolvidos, além da proporção de cidadãos com formação superior, ou do número relativo de doutores, ou outros mais, se situa um, de grande importância: o número de engenheiros. Curitiba, por exemplo, apresenta um maior desenvolvimento econômico, tecnológico, industrial em relação ao interior em grande parte devido a recursos humanos nas áreas tecnológicas, principalmente associados à quantidade e a diversidade de cursos de Engenharia ofertados por instituições de ensino superior ali instaladas. São Paulo se destaca em relação a qualquer outro estado brasileiro por esse parâmetro. E estudos comparativos entre países também destacam este como um dos parâmetros consistentes para a diferenciação do desenvolvimento entre eles. A ''grita geral'' a respeito da falta de mão de obra especializada, em especial engenheiros, no momento em que o país começa a crescer em taxas menos ridículas não é gratuita!
Em relação ao interior do Paraná e a Londrina essa questão já era pautada em 1992, em uma análise sobre a situação de desenvolvimento econômico da cidade e região, no documento ''A questão tecnológica'', distribuído a amplos setores da comunidade londrinense. O documento apontava como um dos gargalos ao desenvolvimento do interior do Estado, e mais especificamente Londrina, a falta de cursos de Engenharia e propunha a criação de um curso de Engenharia Eletrônica. Um ano depois, na proposta de criação de um Polo Tecnológico encaminhada pela Universidade Estadual de Londrina à Prefeitura, constava novamente a criação deste curso. Ainda em 1993 nas conclusões do 1º Workshop de Desenvolvimento: um projeto de desenvolvimento tecnológico para Londrina, realizado com ampla participação dos setores da comunidade científica, industrial e tecnológica da cidade, do Estado e do País, constava a criação do curso de Engenharia Eletrônica e de outros cursos de base tecnológica nas áreas de Engenharia Biomédica, Instrumentação Agropecuária e Ciência de Materiais.
Um projeto para o curso de Engenharia Eletrônica foi encaminhado aos órgãos superiores da UEL e aprovado ainda em 1994. Em 1996, a proposta da Engenharia Eletrônica na UEL foi retomada, rediscutida, aperfeiçoada e aprovada pelos órgãos superiores da UEL com o primeiro vestibular ocorrendo em 1997. Alguns anos após, em 1999, em documento encaminhado à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Seti), apontava novamente para a urgência de criar cursos na área de engenharia, como Engenharia Química, Mecatrônica, entre outros.
Em 2004, em uma reflexão sobre os avanços científicos e tecnológicos ocorridos em Londrina publicada na imprensa local foi proposta a criação de cursos de engenharia, como Engenharia Química; Engenharia Mecânica/Mecatrônica; Engenharia de Alimentos; Engenharia Biomédica; e um curso de Ciência de Materiais. Este assunto foi retomado em setembro de 2007 em um texto publicado no Boletim Notícia, órgão de divulgação interno da UEL.
Assim é com enorme satisfação que vejo a abertura pela UTFPR, com a oferta de vestibular no início deste ano, de um curso de Engenharia de Materiais. O Senai aguarda somente a visita de técnicos do MEC para definir o credenciamento dos cursos, em nível de graduação, de Tecnologia em Fabricação Mecânica e em Manutenção Industrial para oferta possivelmente no início de 2012. Na posse do novo presidente do Sinduscom, Gerson Guarniente, esta visão também foi colocada com ênfase. Espero que o empenho destas novas lideranças, que estão pouco a pouco surgindo em Londrina, que percebem a importância dos cursos de Engenharia para nosso desenvolvimento, possa ser colocada em uma perspectiva de prioridade tanto pelas autoridades públicas e instituições universitárias locais quanto pelo governo do estado.

IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor doutor do departamentode Física da Universidade Estadual de Londrina

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