A combinação de otimismo dos empresários com taxas de juros mais baixas significa ampliação da oferta de empregos, ou seja, juros baixos aquecem a demanda de bens e serviços fazendo com que as empresas tendam a produzir mais. Para isso devem contratar trabalhadores aumentando a oferta de empregos.
A decisão do Banco Central em manter a taxa básica de juros da economia (Selic) em 16,5% ao ano não ajuda a expansão dos empregos porque sem tendência de baixa na Selic a expectativa é de que os juros bancários permaneçam altos. Observe-se que juros altos sufocam a demanda, gerando estoques encalhados nas prateleiras, impedindo novos pedidos às indústrias. Dessa forma as empresas não pensam em novas contratações e até mesmo avaliam demissões em seus quadros em razão da falta de demanda de seus produtos. Em outras palavras, juros altos provocam desemprego.
A ameaça do desemprego faz com que os trabalhadores não busquem a recomposição de sua renda, então a renda média do trabalhador diminui ainda mais, fazendo com que ele consuma menos produtos, aumentando o desemprego.
Entretanto, juros altos atraem investimentos internacionais, o que pode ser bom, mas só que juros altos com risco país em baixa implicam em mais investimentos no mercado financeiro e nem tanto diretamente no mercado produtivo, capaz de gerar empregos.
Gerar empregos com a taxa de juros real mais alta do mundo, como informa a Folha de S.Paulo de 22/01/2004, não está sendo tarefa fácil para o Brasil. Mais difícil ainda é conciliar a geração de empregos com a produtividade decorrente do progresso tecnológico.
O estudo coordenado por David Kupfer da UFRJ, a pedido da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe -CEPAL, publicado na Folha de S.Paulo de 18/01/2004, mostrou que em 11 anos, de 1990 até 2001, o Brasil conseguiu gerar um saldo de apenas 3,24 milhões de empregos para atender cerca de 16,5 milhões de pessoas que entraram no mercado potencial de trabalho neste período. O crescimento econômico gerou empregos, mas o avanço da tecnologia eliminou parte deles e outros postos de trabalho vão continuar a perder para o avanço da tecnologia, em especial na agricultura.
No estudo apresentado, Kupfer informa que o percentual de pessoal ocupado no setor agrícola é de 26% do total, o que é muito maior do que os 7% dos países desenvolvidos. Então a tendência é o Brasil aproximar-se deste percentual, eliminando empregos no campo.
A complexidade da luta pelos empregos é maior que alguns possam imaginar, porque não basta crescer e gerar novos postos de trabalho, é preciso também renovar os antigos para que não sejam engolidos pelo avanço da tecnologia.
O Estudo da UFRJ complementa a criticidade do assunto informando que o setor serviço, fértil na geração de empregos no Brasil, também deve intensificar seu processo de modernização, dificultando ainda mais a geração de saldos positivos de vagas.
Precisamos todos dedicar sérios esforços para a geração de empregos porque mais do que cestas básicas, mais que ajudas sociais, as pessoas precisam da dignificação pelo trabalho, precisam sentir-se úteis para a sociedade e precisam tornar-se cidadãos. A manutenção de uma tendência de baixa nos juros, ainda que tímida, geraria boas expectativas. A esperança de juros menores é de boa ajuda na tarefa de geração novos de empregos. Assim, se o Banco Central tratar a política de juros com maior otimismo, o Brasil poderá ser melhor.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina

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