A violência no Brasil vem crescendo em índices tão alarmantes que foi preciso a intervenção do governo federal, em alguns Estados, criando uma força-tarefa, para tentar controlar a situação e acalmar a assustada população que se vê em meio a uma praça de guerra, onde traficantes, mesmo em cárcere, controlam o poder paralelo no país.
É tão grande a ousadia desses bandidos que em junho do ano passado, em uma das dezenas de favelas da capital fluminense, um jornalista foi assassinado cruelmente. Daí por diante, inconformados com mais uma impunidade, onde o assassino ainda encontra-se foragido, cidadãos honestos começaram a organizar o que seria sua única arma de defesa. Protestos em forma de caminhada pedem que a sociedade possa viver em harmonia.
O impressionante é que enquanto manifestações são promovidas pela acuada população, na televisão os representantes de cada poder - estadual e federal - trocam insultos e ainda discutem de quem seria a culpa por toda essa bagunça na qual se encontra o aparelho de segurança pública.
É tão triste saber que nosso estado, ou melhor, o país que é considerado um dos mais belos do planeta, transformou-se em notícias nas páginas policiais do mundo inteiro. Isso afeta nítida e diretamente setores da economia e em especial um deles, o turismo. Turistas que admiram a beleza natural e o jeito amigo e hospitaleiro dos brasileiros mudam os roteiros, querendo se afastar o máximo possível do Brasil, onde pelo menos uma vez já foram roubados ou vítimas de algum tipo de ação de bandidos.
Mas de onde será que surge tanta criminalidade? A explicação pode ser dada por uma triste análise. O Brasil que ocupa a posição de oitava economia do planeta registra a maior desigualdade social do mundo. Aproximadamente 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza, em condições subumanas e cerca de 29% com 1 dólar por dia, sem falar que com o salário mínimo não se consegue comprar nem a cesta básica. O Brasil tem hoje um número de pobres maior que a população do Canadá e em 1996, a renda de 1% dos brasileiros mais ricos era maior que a dos 50% mais pobres.
Em pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), o jovem de até 25 anos é o alvo principal da violência. A falta de emprego é uma das causas dos mesmos ingressarem na marginalidade. Homicídios são determinados, na maioria das vezes, por fatores ligados a ordem econômica. A possível solução para se evitar tanta barbárie é concentrar-se nas principais vítimas: as crianças e adolescentes. Garantindo educação e emprego estável.
PAULO DIEGO RIBEIRO GOTARDO é estudante em Londrina

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