As pessoas espiritualmente evoluídas tendem a apreciar, mais que as outras, a riqueza e as coisas boas que a vida oferece, inclusive bens materiais, porque os têm como dádivas. Não há mal em ter desejos, já que eles foram dispostos para nos servir, ou não teriam sido criados. Pobreza tem muito a ver com ausência de vontade pessoal. A pior das misérias humanas é crer que pobreza é vontade de Deus.
Preciso é dizer que religiosidade nem sempre é sinônimo de espiritualidade, até porque certas religiões pregam a pobreza e o sofrimento como caminhos para chegar ao céu... Espiritualidade é um estado de plenitude e libertação, já a religiosidade pode estar atrelada a dogmas doutrinários, que mantém o fiel sob cativeiro, não permitindo que ele busque pelos próprios meios e que evolua.
Ao invés de maldizer os ricos, melhor é comprazer-se pela existência deles; e ao invés de maldizer os ricos perdulários, melhor é orar por eles para que despertem e passem a dar um direcionamento mais produtivo para o dinheiro e os bens.
Ao maldizer alguém, essa corrente tende a voltar ao ponto de partida, assim como, na contrapartida, o louvor retorna em idêntica intensidade. Somos beneficiários ou vítimas de nossos sentimentos, palavras e ações. Este o sentido de semear e colher. Se semeamos inveja e maledicência não colheremos benesses.
Pelo amaldiçoamento não melhoraremos o rico mesquinho, mas se emanamos bons sentimentos sobre ele estaremos lançando luzes sobre sua consciência. Esta a tarefa mais difícil, mas é aí que reside o mérito. As pessoas têm dado muita atenção às próprias invejas e aos ódios, quando deveriam lançar um detergente sobre eles... assim desentupindo os canais que bloqueiam a chegada da riqueza e de todas as graças. Importa valorizar todos os bens, sem apegar-se a nada.
Inútil tentar, à luz da lógica, querer entender porque um homem tido como mau é rico e saudável, e o tido como bom é às vezes pobre e doente. Melhor é olhar as coisas como elas são, sem julgamento, porque para tudo há uma razão.
Ocupar-se de invejar e odiar o rico é perda de energia, que bem poderia ser canalizada em benefício próprio, em vez de sofrer desgastes que as intromissões pelo campo alheio propiciam. Tudo aquilo em que pensamos nos envolve e exerce influência sobre nós; tudo aquilo que sentimos ou falamos atrai a coisa pensada ou falada.
O caminho é conscientizar-se de que a riqueza não tem dono e é de todos. O dinheiro não é um bem nominal, pois não tem o nome e o RG da pessoa estampados nele. Se é bom que os endinheirados dêem função social ao dinheiro, no sentido de semear mais riqueza e beneficiar a muitos, ainda melhor é cada qual ir buscar a parte que lhe cabe. A riqueza contempla aqueles que a buscam com fé e convicção.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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