Estamos próximos de mais uma eleição e muitos vão disputar uma cadeira no Senado Federal, na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa ou ainda nos executivos Federal e estaduais. Para muitos políticos e para o governo, a eleição é o maior símbolo da democracia deste país. Será? Neste megapaís existe uma discussão que é a reforma política. Dentre os assuntos da reforma política, temos: o financiamento da campanha pelo poder público, a fidelidade partidária, o voto distrital, entre outros. Por que não consta nesta reforma política, exigências mínimas para se concorrer em um pleito? Por que também não se discute o voto facultativo? Será que os detentores do poder temem tal iniciativa?
É difícil ver a eleição no Brasil como símbolo de democracia. Temos aqui em período eleitoral, uma pseudodemocracia, onde é instituída a ditadura do voto. Proporcionar o direito ao voto é condizente com a democracia, agora, exigir a obrigatoriedade é totalmente contra os princípios democráticos. Infelizmente, são notórios alguns fatos em período eleitoral.
Muitos que tentam o poder não apresentam as mínimas condições de regerem este país. São analfabetos políticos e desconhecem o verdadeiro papel daqueles que estão à frente das esferas do poder. Alguns fazem do cargo que ocupam uma profissão procurando a perpetualização no poder. Outros se elegem para cumprir determinado mandato, não cumprem a promessa e já pensam em outro pleito. Vereadores que não terminaram a legislatura e já pensam na Assembleia Legislativa estão faltando com a verdade, pois prometeram trabalhar para esse cargo. O que entristece é que muitos eleitores votam nesses oportunistas. Isso é ou não um desrespeito para com os eleitores que o elegeram?
Em período eleitoral também é perceptível o quanto se gasta para se eleger. Isso se chama abuso econômico! Muitos que conseguem vultosas doações se comprometem com os colaboradores e se esquecem daqueles responsáveis pela conquista, o povo.
Diante desses fatos que permeiam o período eleitoral, que tal um novo paradigma? Que tal o voto facultativo? É claro que o Brasil não está preparado para esse novo modelo, porém o voto facultativo não irá piorar a situação. A exigência da obrigatoriedade tem trazido muitas consequências drásticas para a população, afetando a qualidade de vida. A grande consequência se chama corrupção dos meios governamentais. O voto facultativo não irá resolver os vários problemas da nação. A não obrigatoriedade é um ponto de esperança para muitos que almejam o melhor para o país.
Com o voto facultativo, não vejo detentores do poder se tornando profissionais e se aventurando em vários pleitos, não vejo problemas com a reeleição. Será que o povo irá querer o político novamente? E os nobres com a ficha suja? Os políticos que devem para a justiça e acima de tudo para o povo terão a coragem de enfrentar cidadãos politizados e conscientes da importância do voto? Eles serão aniquilados por aqueles que votam com seriedade, com ética e acima de tudo com respeito ao erário público. Mais vale poucos votando com seriedade do que muitos votando sem compromisso.
O voto facultativo é uma esperança para se acabar com as mazelas na política e, principalmente, para diminuir o sofrimento do povo.
JONAS VIEIRA DA COSTA é professor de Geografia com especialização em Administração, Supervisão e Orientação Educacional em Londrina

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