É vergonhoso que entidades organizadas queiram submeter o voto de todos os seus filiados apenas a decisão de uma cúpula de pelegos, que muitas vezes busca exclusivamente a promoção pessoal em detrimento de toda uma classe pensante. Por outro lado, seria um verdadeiro ato de traição, que alguns membros, em nome de todos os associados venham a público pedir apoio para apenas um de seus filiados em detrimento de outros também candidatos, que comprovadamente muito contribuíram para existência dessa associação.
Vemos hoje entidades sérias, como a classe dos advogados, médicos, dentistas, engenheiros, jornalistas e outras não se imiscuírem em questões políticas extraclasse, apoiando este ou aquele candidato, porque têm a consciência de que seus membros são seres pensantes e, em função disso, merecem respeito. Por isso, não se submetem às decisões de meia dúzia de ditadores pelegos que não enxergam além do seu próprio nariz.
As entidades só existem em função da contribuição pecuniária e pessoal de cada um de seus membros. Assim, nenhum profissional liberal integro se curvará às decisões unilaterais e leoninas votando por indicação desses ''pseudos líderes classistas'', pois, se realmente fossem líderes, jamais burlariam a lei eleitoral apoiando determinado candidato em detrimento de outros da mesma classe, ferindo de morte o princípio da isonomia, que diz: ''Aquilo que não se faz para todos, não se faz para um''.
É de suma importância, que todos os profissionais liberais, indistintamente, busquem o livre arbítrio e reflitam sobre a indispensabilidade do Estado de Direito, demonstrando assim a sua maturidade democrática e criando como consequência, uma perspectiva de progresso social, em consonância com as exigências do bem comum, contribuindo sobremaneira pela equivalência de oportunidades a todos que vivem neste país, até porque, impor o voto a um ser pensante é uma das formas mais infames de constranger uma pessoa de bem.
Portanto, não deixemos que nossas inteligências sejam vilipendiadas pelo voto de cabresto. O sufrágio consciente é uma das mais invioláveis expressões que o cidadão possui para escolher o seu representante, se agirmos ao contrário, estaremos negando a soberana e inalienável liberdade de decidir.

ANTÔNIO FIDELIS é advogado em Londrina

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