Essa orientação foi dada por São Paulo aos cristãos que estavam em Tessalônica. E a máxima de quase 2000 anos atrás é mais atual do que nunca.

Experimentamos tempo de notícias de autenticidade duvidosa. As famosas “fake news” estão por toda parte e sendo compartilhada à polvorosa.

No momento, nos aproximamos das eleições, onde nosso futuro estará nas mãos de pessoas que elegeremos para os cargos municipais.

Ainda, há de se destacar que nosso povo esta cansado das promessas de campanha que nunca são cumpridas.

Ora. Em tempo de eleição, de tudo ouviremos. Desde promessas até ataques. Os candidatos falarão de si e dos outros.

É importante examinar, não apenas ouvir, examinar.

Ao ouvir uma promessa, deve o eleitor buscar entender algumas situações:

1. A promessa ou proposta oferecida é de competência do cargo pleiteado?

Existem muitos (muitos mesmo) candidatos que apresentam propostas e promessas que não competem ao cargo que buscam ocupar. Muitos candidatos a vereadores, por exemplo, prometem asfalto, assistência alimentar mensal, construção de praças nos bairros, recursos para a comunidade representada e tantas outras benfeitorias. Entretanto, importa que o eleitor (e principalmente o candidato) saiba quais as responsabilidades dos respectivos cargos para identificar as falácias de campanha.

2. A promessa ou proposta é constitucional?

Outra situação para observar é se a promessa ou proposta possui amparo legal, ou seja, se a Lei permite. Candidatos que prometem destinar porcentagens específicas de recursos para áreas específicas, prometem que as compras serão feitas todas de fornecedores do município e outras promessas mais, ou não conhecem as Leis que regem as contratações e orçamento público ou aproveitam do fato de possuírem público leigo no assunto.

3. A proposta possui viabilidade econômica ou técnica?

Importa também, observar se a promessa possui condições técnicas e econômicas para serem executadas. Algumas são até obvias. Há candidatos que prometem inaugurar hospitais de alta complexidade nos seis primeiros meses de governo. Outros prometem criar guarda municipal em municípios cuja arrecadação inviabiliza esse feito.

4. O candidato sabe como fazer e viabilizar a proposta?

Dizer que tem um projeto para a saúde, não é simplesmente afirmar que vai construir um hospital, e sim dizer como irá viabilizar, construir e manter. Não basta querer, é necessário apresentar o projeto, a legislação que baliza a proposta, de onde virá o recurso. O candidato deve conseguir responder essas questões, do contrário, é mais um “falador”.

Ao ouvir uma informação depreciativa (ataque) sobre o outro candidato, é importante se perguntar:

1. Essa informação interfere na administração pública e no serviço a ser prestado pelo candidato “ofendido”?

Informações como: “casou várias vezes”, “ tem filho fora do casamento”, “é gay”, “é arrogante”, “é antipático (a)”, “em 1645 ela foi vista com a amiga da vizinha da prima do rapaz que...”, e outras afirmações são comuns nas vésperas das eleições com o intuito de desestabilizar e “roubar” eleitores, especialmente dos que estão vencendo a corrida eleitoral.

Cabe ao eleitor, observar se essas informações são determinantes para definir o quão competente o candidato é para o cargo. Muitas vezes, somos bombardeados com informações negativas de determinado candidato, que em nada interferirá na gestão do mesmo caso seja eleito.

2. Essa informação é verdadeira? Há provas concretas?

Assim como promessas, ataques são fáceis de ser realizados: basta proferir.

E mais uma vez a orientação é clara: examinai. Mesmo que não goste do candidato, não dissemine inverdades ou incertezas.

Mesmo que quem citou a informação seja o seu candidato preferido, não espalhe informações depreciativas, principalmente as que você não tem certeza da veracidade.

Exija provas. Não seja manipulado por bons oradores e falsos moralistas.

Vamos exercer e aproveitar a beleza da democracia.

Precisamos ser inteligentes e usar a racionalidade para definir o futuro de nossas crianças.

Não podemos permitir que a mentira seja nossa governanta.

Um mundo melhor depende de nós. Pode parecer clichê, mas é mais real do que imaginamos.

Que a verdade seja nossa amiga e que ela prevaleça sempre.

Elienai Cordova (servidor público) Piraquara

mockup