ESPAÇO ABERTO - Eleição pretexto para corrupção
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Léo de Almeida Neves 
Os políticos e o Congresso Nacional estão devendo à Nação ampla reforma político-eleitoral que reduza a força do dinheiro nas campanhas, torne iguais as possibilidades dos candidatos e, simultaneamente, afaste o pretexto para a prática da corrupção, esse verdadeiro câncer no organismo administrativo do país.
O maior gasto dos partidos e dos candidatos é a produção dos programas gratuitos de televisão que, na verdade, constituem propaganda enganosa iludindo o povo. As agências de propaganda contratadas a peso de ouro preparam efeitos especiais, cenários de luz, música, paisagens maravilhosas, reportagens, entrevistas, e o que é pior escrevem os textos para os candidatos lerem.
Sem que os telespectadores percebam, os apresentadores, dirigentes do partido, ocupantes de cargos legislativos/executivos e os candidatos ficam lendo mensagens escritas pelos marqueteiros no chamado teleprompter, posicionado na frente deles, deixando a falsa impressão de que estão improvisando suas falas.
A primeira modificação na atual lei eleitoral deverá proibir programas de televisão montados e eliminar o teleprompter, com fiscalização nos estúdios. Os programas do TRE terão que ser ao vivo, permitindo-se fitas gravadas somente nas rádios, devido ao seu grande número. Será vedada a atuação de apresentadores profissionais, tanto nas rádios como nas televisões, tarefa restrita aos que forem filiados às agremiações pelo menos há um ano.
Essa modalidade de legislação já funcionou satisfatoriamente nas eleições de 15 de novembro de 1966 para deputado federal, estadual e senador e nas municipais em 1968 (não confundir com Lei Falcão introduzida na década de 70 pelo regime militar).
Adotado este dispositivo legal acabaria o principal dispêndio de campanha e os candidatos teriam idênticas condições, com obrigatoriedade de veiculação de todos os integrantes das chapas proporcionais. Os rateios de divisão de horários dos programas de cada partido seriam os mesmos atualmente vigorantes.
Quem se habilita a propor essa nova legislação: o Governo Lula e os partidos de sua base PT, PMDB, PTB, PPS, PL, PP, PCdoB, PS ou os oposicionistas do PSDB, PFL e PDT? Ou todos preferem deixar como está!
LÉO DE ALMEIDA NEVES é membro dos diretórios nacional e estadual do PMDB


