Ideias errôneas sobre a Educação a Distância (EAD) muitas vezes atrapalham a percepção de como este método pode ser eficaz para o ensino brasileiro. Prova disto foi uma norma do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) negando que os cursos de pós-graduação jurídica a distância fossem considerados como aptos a ser computados como atividade jurídica. Esse e outros absurdos são vivenciados diariamente por quem convive com o método.

Claro que medidas legais contra a discriminação feita à Educação a Distância são adotadas para coibir e punir ações como esta citada. Mais do que isso, porém, é preciso. Isto é, modificar o pensamento deturpado sobre este tema.

Em um país onde o número de alunos matriculados na escola caiu 1,2% em 2008, em comparação com 2007, segundo o último censo escolar da educação básica, ir contra os benefícios da EAD é não priorizar os avanços necessários para o Brasil se tornar desenvolvido.

Para a Educação a Distância chegar onde a pessoa está, em qualquer nível escolar, utilizando ferramentas que facilitam o aprendizado, ela deve ser vista como a solução e não o problema. Como afiançam os mal informados.

Além disso, ao pensar em um curso a distância, logo se imagina um aluno isolado em seu computador, recebendo aulas de um professor virtual que nunca se vê. Mas este conceito é equivocado. Não condiz com a realidade.

Pais e professores podem utilizar a EAD como uma ferramenta de apoio à aprendizagem, inclusive mesclando aulas presenciais e virtuais.

Além disso, quem não pode cursar uma universidade, seja pelo valor, disponibilidade ou localidade, também pode contar com esta metodologia para avançar nos estudos e ter, além dos materiais, interação de professores presentes nos polos e ferramentas como a internet para auxiliar nos estudos.

Ironicamente, a EAD vem com o principal objetivo de derrubar as distâncias, assumindo um papel primordial para os avanços educacionais do Brasil. Em um país como o nosso, que tinha como objetivo ter 30% da população jovem nas universidades e só possui 19%, é um absurdo não se ter a consciência sobre a importância do Ensino a Distância, apta a ajudar efetivamente a preencher tal lacuna.

Como tudo, a educação atual está globalizada. Ela não se limita mais às linhas geográficas. Vai além. Impulsiona, por exemplo, quem quer fazer uma especialização na Espanha, mas não tem condições de pagar uma estadia internacional. Permite com que alunos do Acre e Porto Alegre possuam os mesmos materiais qualificados de ensino, sem distinção.

A EAD é mais rápida, atende mais gente, chega mais longe e possui um conteúdo muito qualificado. Por tudo isso, está na hora de acabarmos com o preconceito sobre esta metodologia, permitindo-nos avançar mais.

O Ensino a Distância está pagando o preço da mudança de alterar os padrões tradicionais. Mas ele vem mais equipado para atender os fins necessários: educação para todos. Se a globalização, por meio da tecnologia, foi capaz de unir os mais diversos temas e povos, a EAD bem utilizada pode contribuir para alavancar o futuro do país.

CARLOS ALBERTO CHIARELLI é ex-ministro da Educação, doutor em Direito e presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância


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