A respeito da desigualdade social no Brasil sabe-se duas coisas: o País tem um elevado número de pobres em relação a suas riquezas e a distância entre miseráveis e ricos é muito ampla e preocupante. Pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatam que, em 1999, a renda de 74 pobres era igual a de um rico. Essa disparidade revela a fragmentação sócio-econômica integrante da realidade brasileira.
Mas, há ainda o grande vilão de todas as desigualdades: o desfalque no sistema educacional brasileiro. Sem educação de fácil acesso e formação profissional para todos, a disparidade cresce. Assim, surgem o desemprego e os subempregos (que alguns insistem em chamar de emprego) que podem levar ao aumento da violência e da criminalidade. Não se trata de generalizarmos e dizermos que todo pobre é violento e criminoso, mas sim assumirmos que o problema na educação encontra-se de tal maneira assustador que pode trazer consequências a toda sociedade. Essa questão, de certa maneira, vem sendo negligenciada por nossos governantes que não priorizam a educação e somente oferecem soluções paliativas para o problema.
A grande máquina da desigualdade funciona graças à considerável parcela da população fora das escolas e universidades, o que gera o aumento da desqualificação. Então, mesmo que exista oferta de empregos, a exigência pela alta capacitação exclui muitos candidatos. Daí, com um salário baixíssimo e sem expectativas de vida, o indivíduo pode aderir à violência e à criminalidade.
Para Paulo Lins, autor do livro ''Cidade de Deus'' em entrevista à Folha de S. Paulo, ''é compreensível que um sujeito que passe fome, por causa de um subemprego, sequestre e roube''. Ele é ex-morador de favela e caracteriza a criminalidade como reflexo da situação social e do desfalque na educação brasileira nos últimos anos.
Há aqueles que dizem ser a má distribuição de renda a responsável pelo abismo social existente entre as classes no Brasil. Mas, vale ressaltar que a informação e formação de qualidade são determinantes para o valor de um indivíduo no mercado de trabalho, ou seja, o sistema educacional deve oferecer as condições necessárias para que todos tenham o mesmo acesso à formação e, assim, possuírem o mesmo valor social e econômico.
VERENA FERREIRA é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina

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