A Unesco lançou um grande desafio aos indivíduos, aos governos e instituições do mundo todo. A mobilização por uma Década Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, entre 2005-2014,. O Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, qualificou como o ''maior desafio neste século'' a disseminação dessa ''idéia que parece abstrata, o desenvolvimento sustentável''. As diretrizes foram divulgadas em www.unesco.org.
A questão é como dar materialidade a essa idéia? Como sensibilizar milhões de pessoas sobre a sua necessidade e urgência, torná-la concreta, visível e real? E mais, como prepará-las para essa tarefa em escala planetária? Pela educação, diz a Unesco. Uma década de esforços educacionais para a promoção do desenvolvimento sustentável.
Iniciar um processo de mudança cultural, induzido pela mobilização voluntária e sem coerção estatal ou institucional, de forma participativa e plural, em nome da qualidade de vida. Ora, mudanças culturais requerem grandes esforços. Não caminham sozinhas. O desafio é que resultem em um impacto real na difusão e efetivação da sustentabilidade.
Ao buscar assegurar a qualidade de vida das gerações atuais e do futuro, a Unesco aponta a mudança das atuais condições de existência humana, sobretudo de consumo e de produção econômica, como aspectos fundamentais a serem transformados nas sociedades do século XXI. Em sendo o ser humano o principal modificador da natureza, deve estar também no centro das análises e do desenvolvimento sustentável. Cresce a importância da educação, formal e não formal. É preciso transformar velhas concepções. Varrer idéias como progresso infinito, o mundo da mercadoria e de submissão brutal da natureza.
A necessidade de um novo corolário cultural, filosófico e ético mundial sustenta o propósito da Unesco de alcançar maior participação social na tomada de decisões voltadas para uma qualidade de vida melhor. A educação deverá atingir o maior número possível de indivíduos, em todas as idades, e estimular a mudança de valores, atitudes e estilos de vida.
Aprimorar a educação, reorientá-la para a efetivação de uma sociedade mais justa, ecologicamente sustentável e viável economicamente. Torná-la, enfim, propulsora de desenvolvimento sustentável. Eis o marco zero, de onde poderão nascer sonhos novos da e para a humanidade. Será o retorno das utopias? Estas irão marcar, também, o século XXI?
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor no departamento de História da UNESP em Assis (SP)

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