Interdisciplinaridade, leitura e escrita, relacionamento adulto e criança ou adolescente são temas em baixa. Em alta estão as guerras, terrorismo, desemprego, pobreza... Mas, educação de qualidade para filhos e alunos pode ser o contraponto para a sensação de impotência em relação aos problemas que estamos vivendo. Educar é antever o futuro, ter esperança nos valores humanos, acreditar no sentido da existência.
Afirmar que ''pais e filhos, professores e alunos não são iguais'' parece óbvio, porém nunca foi tão necessário trocar idéias sobre isso com os pais e professores. Discutir, ouvir e argumentar não é o mesmo que copiar receitas. Pois, para aplicarmos as receitas é necessário termos todos os ingredientes, e, na medida certa. O que propomos é parar para pensar, ouvir, questionar e responder sobre o trabalho tão difícil, mas, ao mesmo tempo tão ''lucrativo'' e gratificante que é educar.
A fluência da linguagem infantil e a abundância de argumentos dos adolescentes escondem um ''furo'' importantíssimo na pseudo-igualdade entre eles e os adultos: há uma enorme diferença entre falar o que se pensa e falar sobre o que se sabe. Isto é, a experiência de vida, a maturidade, a previsão das consequências características do adulto - podem não ser percebidas numa conversa (ou num bate-boca) entre ele e a criança ou o adolescente, mas são os elementos que o tornam responsável por eles - pela sua integridade e desenvolvimento físicos, pela sua formação intelectual, moral e religiosa.
Se estes argumentos sobre a diferença entre pais e filhos não for suficiente, utilizemos as descobertas da Neurofisiologia moderna: o processo de uma maturação do lobo frontal do cérebro, responsável pela função do ''julgamento'' leva pelo menos, 16 anos. E, tem mais; Lawrence Kohlberg, dos mais importantes estudiosos da Educação Moral da atualidade, afirma que antes de 20, 25 anos não se atinge os mais altos níveis de julgamento moral e ético.
A passagem da ''heteronomia'' a ''autonomia'' - termos usados por Piaget e Kohlberg para designar ''governado por outro'' e ''governado por si mesmo'' - dura toda a infância e a adolescência, e se faz de forma gradativa. Se pais e professores tiverem persistência (entre tropeços e recomeços), poderão se ''aposentar'' ao final de 17, 18 anos. Caso contrário, os pais não se aposentarão e a sociedade também arcará com os ''eternos adolescentes'' - irresponsáveis, pessoal, profissional e socialmente.
LUIZA LEONOR CAVAZOTTI E SILVA é orientadora educacional do Instituto de Educação Infanto-Juvenil, escola fundada há 31 anos em Londrina

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