ESPAÇO ABERTO - Economia solidária
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
João Ivo Caleffi 
Dentro da concepção liberal o termo economia solidária seria impensável. O econômico e o social não se misturam, são como água e vinho para o neoliberalismo. Mas para um governo que pensa e age democraticamente, tendo como eixo de suas ações políticas a inclusão, reciprocidade vira palavra de ordem. E é neste contexto que o Governo Popular de Maringá desenvolve o seu projeto de economia solidária, que surgiu com a criação das cooperativas de reciclagem e se expandiu para a produção de bens de consumo.
Para viabilizar os projetos criamos o Núcleo de Economia Solidária e através dele, conquistamos parceiros importantes para incrementar nossa política de trabalho e renda. O caso da fábrica de velas de Floriano é emblemático. Firmamos uma parceria com a igreja católica, parceria esta que formata um interessante programa de cadeia produtiva solidária, começando na produção de velas, passando pela comercialização e chegando ao consumo.
As cooperativas que estamos fomentando são alternativas importantes de geração de trabalho e renda. Alternativas antes de tudo de sobrevivência e melhoria da qualidade de vida de centenas de pessoas que estavam à margem do mercado formal de trabalho e que para sobreviver se submetiam a atividades absolutamente insalubres.
O que vale na Economia Solidária é a melhoria da qualidade de vida dos que a ela se integram. O Mercado deixa de ser o senhor todo poderoso das relações comercial e de trabalho, pelo simples fato da Economia Solidária primar por valores culturais diferenciados, todos eles voltados para a valorização da vida.
A moeda social baliza as relações capital-trabalho, pois o capital empregado no modo de produção é de posse coletiva e é totalmente gerido por modelo de administração realmente democrático.
Com isso, acredito estarmos contribuindo para a construção de uma nova sociedade. O exemplo de Maringá, que prioriza o ser humano em todas as ações de governo, deve ficar marcado para sempre na história dessa cidade e há de servir de modelo para muitas administrações públicas no Brasil inteiro.
Ao criar programas de trabalho e renda, estamos lançando mão de políticas públicas de longo prazo, que lá na frente vão criar condições objetivas de redução da violência urbana, de melhoria dos indicadores sociais. É bom sempre ressaltar que o IDH é um índice de importantíssimo no credenciamento de um município para financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento local sustentável.
Num governo onde a maioria das ações é voltada para a redução da desigualdade social, a palavra solidariedade ganha uma nova dimensão. É a dimensão da participação popular nas ações de governo, do processo de inclusão que colocamos em marcha desde o janeiro de 2001, quando o saudoso José Cláudio e eu assumimos a Prefeitura de Maringá.
Maringá vai sediar de 21 a 23 do mês em curso o I Fórum Paranaense de Economia Solidária. Não é por obra do acaso que evento tão importante será realizado em nossa cidade. Paralelamente ao Fórum, teremos o I Encontro Estadual de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis e a I Feira Paranaense de Economia Solidária.
Vamos ter a oportunidade de mostrar para o Paraná e para o Brasil, com a ênfase que o nosso programa de economia solidária merece, exemplos bem-sucedidos de cooperativas. Além das cooperativas de reciclagem, já temos funcionando pelo mesmo sistema, a fábrica de velas de Floriano e a cooperativa maringaense de bordados. Ressalte-se, enfim, que há um casamento perfeito entre município, Estado e União, nos programas de economia solidária, o que nos faz projetar um avanço social muito grande nesses anos de governo Lula.
JOÃO IVO CALEFFI é prefeito de Maringá


