ESPAÇO ABERTO - É proibido ser inseguro?
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de janeiro de 2005
Moacir Costa 
No mundo atual parece não haver mais espaço para pessoas inseguras, ao contrário, a sociedade impõe às pessoas que sejam cada vez mais autoconfiantes. O mercado de trabalho exige profissionais muito capazes, decididos, ousados e inovadores. Mas nem todos conseguem isso, pois se mostram inseguras e com dificuldades para tomar decisões.
A frustração de não conseguir atender a tantas exigências pode provocar sentimentos de impotência, ansiedade e até depressão. O aumento da violência urbana é outro fator detonador, já que as pessoas vivem com medo e cada vez mais inseguras. Mas além desses novos medos e fobias, temos aqueles que trouxemos da nossa infância, relacionados a fatores culturais, educacionais e familiares.
Uma das causas de tanta insegurança pode ser a falta de apoio e valorização que a criança ou o pré-adolescente enfrentou no seu crescimento afetivo. Até algum tempo atrás se acreditava que esse desenvolvimento dependia apenas da relação da criança com a mãe, sendo o pai uma figura sem importância e decorativa.
Hoje nós sabemos que a presença do pai é fundamental, tanto para o filho como para a filha. Aliás, para a filha a figura do pai é um importante referencial para que mais tarde ela tenha mais facilidade de relacionamento social, afetivo e sexual. No caso do menino, a falta de um modelo positivo por causa de um pai omisso, distante ou hostil, leva à insegurança e à baixa auto-estima. Na puberdade esse menino tem enormes dificuldades para aceitar as mudanças de seu físico, e não se sente satisfeito nem com seu próprio corpo, e às vezes com o tamanho do seu pênis.
Nesse período da puberdade ele se mostra mais interessado e atraído pelas meninas, mas sempre num clima de incertezas. Às vezes nem consegue disfarçar esse medo, evitando a aproximação com o outro sexo e se isolando socialmente.
Isso também acontece com as garotas, que nessa fase precisam muito de um modelo de mãe que seja vista e percebida como mulher e que transmita uma imagem mais corajosa e positiva da sua sensualidade.
Esses referenciais têm importância no amadurecimento emocional desses jovens, pois sabemos que os conflitos nessa fase da vida marcam negativamente os comportamentos futuros, fonte de angústias que geram insegurança, e que dificilmente deixarão de interferir na vida sexual e amorosa.
A educação baseada na boa conversa e na valorização dos afetos e manifestações de carinhos físicos funciona como um antídoto, reduzindo incertezas e inseguranças.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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