ESPAÇO ABERTO - É normal a agressividade nas crianças?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 2004
Vera Lúcia Helmann Hemmig 
A agressividade humana é necessária em muitas situações na vida cotidiana. Ela constitui parte importante de todos os impulsos humanos e as tendências agressivas são respostas às frustrações e ao mesmo tempo visam a superação das mesmas - mas em parte. Portanto, a agressividade tem conotação de expressão natural, e em certos casos pode ser interpretada como sintoma.
No primeiro caso, a agressividade poderá ser vista, não de forma necessariamente destrutiva, uma vez que ela se deriva de uma tendência inata para crescer, dominar a vida e vencer obstáculos. A mobilidade do bebê pode ser vista como a primeira manifestação de um impulso agressivo necessário para o domínio de seus limites.
Todavia, há uma preocupação por parte dos pais e educadores em relação à manifestação agressiva nas crianças e surge o questionamento: até que ponto considerar normal a agressividade?
É importante lembrar que a agressividade se manifesta de maneira diferente em cada pessoa. Portanto, desenvolver-se-á de forma especificamente peculiar em cada criança, tendo direta relação com seus conteúdos internos e com o meio a que está inserida. E sua reação deverá ser interpretada com base nesses parâmetros de individualidade e particularidade.
Cabe aqui, portanto, a compreensão por parte do adulto, que além de ser continente, ou seja, de deixar que a agressividade se manifeste sem repressões, deve ser também o mediador entre fantasia e realidade (constituintes no seu mundo). Deverá colocar limites para mais tarde a criança saber medir suas forças com outras crianças e adultos. Pois a disposição normal da agressividade requer oposição. Pais que só cedem, não dão nada para a criança combater ou conquistar, nenhuma justificativa para o impulso inato, para o crescimento emocional que visa a independência e uma estruturação adequada. Nenhuma criança pode experimentar sua força de desenvolvimento se não há mínima possibilidade permitida pelos pais.
Se não há ninguém a quem combater, a agressividade torna-se autodestrutiva (tende a voltar-se para dentro, contra seu próprio eu). Portanto, os pais ou educadores devem dar condições para a criança liberar suas energias de forma sadia. E acima de tudo saber equilibrar os momentos de repressão com momentos de afeto. Através de jogos e brincadeiras em que a criança tenha condições de elaborar seus sentimentos e dentro do possível deixar que elas próprias percebam seus limites. Considerando, é claro, o que se passa com a criança e a situação em que a agressão acontece, sem tomar as dores do agredido, pois muitas vezes a criança usa a passividade como agressão usando o adulto forte e poderoso como seu protetor e aliado.
VERA LÚCIA HELMANN HEMMIG é psicóloga em Londrina


