ESPAÇO ABERTO - Do chapéu ao boné
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
Reinaldo Mathias Ferreira 
Desenhos com cerca de 3.200 anos mostram que os reinos do Egito eram simbolizados por diferentes coberturas para a cabeça. Ao longo do tempo, essas coberturas, geralmente dotadas de copas e abas circulares adquiriram diversas formas e significados: coroa, chapéu, boné, boina, quepe, cartola, barrete, solidéu, capacete.
A prática de tirar o chapéu como um sinal de reverência ou respeito, comum em todo o mundo ocidental, remonta aos gregos e, em grande parte, é influência de São Paulo (Coríntios (I, 11, 4-7):''Todo o homem que faz oração, ou que profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça''.
Luís XIV, da França, fez um decreto, disciplinando o uso do chapéu. Por influência do costume francês, essa disciplina veio junto com a Família Real para o Brasil e aqui se estabeleceu. O homem tira o chapéu, ou denota a intenção de retirá-lo, em sinal de respeito, o que vale dizer: ''Neste lugar ou em sua presença estou protegido''.
O chapéu foi acessório obrigatório no Brasil até a década de 50. Com exceção dos trabalhadores rurais, em Londrina parece que apenas o Baiano do Táxi, o Edgard Georgetto, o Dr. Danilo Silvestri e o Donato Parisoto usam chapéu. É evidente que eles sabem quando e em que lugares devem usar.
A juventude desconhece a simbologia e usa chapéu, capacete e, principalmente, boné em lugares fechados e em ambientes de respeito: igreja, velório, cinema, sala de aula, restaurante, bar, lanchonete, durante as refeições ou diante de pessoas e símbolos que mereçam respeito.
O saudoso professor Victorino Gonçalves Dias certa feita comandava o desfile de 7 de setembro e viu que, na passagem da Bandeira Nacional, um cidadão permanecia de chapéu num bar. Não teve dúvida: foi até ele e o fez descobrir-se.
Se usar o bonezinho é ''trilegal'', vamos ensinar aos jovens em casa e nas escolas que há ocasiões e lugares próprios para isso. E não custa lembrar que, por questões de segurança (dos outros) e educação, os motoboys (geralmente entregadores) devem descobrir-se ao se anunciarem nas portarias de prédios ou em residências e ao entrarem em lojas, escritórios, consultórios.
REINALDO MATHIAS FERREIRA é professor em Londrina


