ESPAÇO ABERTO - Direito de escolha negado
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Ywao Miyamoto 
O futuro do abastecimento de alimentos e o desenvolvimento de novos medicamentos passam pelos transgênicos. Esta já é uma visão clara para os especialistas em todo o mundo. A biotecnologia é considerada a ciência do século e é o único instrumento tecnológico existente capaz de ser uma alternativa concreta de combate à fome, num mundo onde 800 mil pessoas vão para a cama com fome e 1,3 milhões vivem no estado de miséria.
Pesquisas realizadas nos países que adotam a tecnologia já mostraram que estas plantas não trazem risco à saúde humana.
Com relação ao meio ambiente, a nova tecnologia traz benefícios pois deixa-se de jogar milhões de toneladas de pesticidas que iriam contaminar o solo e subsolo, as bacias hidrográficas e o ar. Devido à redução de aplicações, usa-se menos vezes o trator, diminuindo a compactação do solo e significando menor queima de óleo diesel, o que também evita poluição do ar com gás carbônico.
Os alimentos orgânicos tão defendidos não respondem às necessidades da população pois são inacessíveis às pessoas carentes. Só os ricos podem consumir. Precisamos produzir alimentos baratos e em abundância. O transgênico é 30% mais barato para produzir e chega ao consumidor final com preço 8% menor, segundo dados apresentados no III Congresso de Biossegurança realizado este mês no Recife.
No mundo todo, e isso inclui o Brasil, serão apresentados brevemente centenas de produtos transgênicos, além de dezenas já em uso, entre os quais pode-se citar o tomate longa vida, vacina para Hepatite-B, insulina para os diabéticos, hormônio de crescimentos, bactérias para fermentação de queijos, vinhos, milho-BT, algodão-BT, soja-BT, canola, flores, hortaliças, etc.
Vários cientistas da área de biotecnologia e professores universitários da área de genética se manifestam a favor do uso dos transgênicos. Entidades internacionais como a FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - também são favoráveis.
Hoje mais de 50% da população do mundo vive nos países que adotaram transgênicos e plantam uma área quatro vezes maior do que a área total do Brasil. No Brasil todo há seis anos plantam a soja transgênica RR. No ano passado, segundo levantamento feito pelas duas empresas de pesquisa, plantaram uma área entre 11% e 17% no Brasil e entre 11% e 13% no Estado do Paraná.
Este ano, com a liberação de plantio pela medida provisória nº 131, estima-se que estes números irão duplicar, ou seja, o Brasil vai produzir mais de 15 milhões de toneladas de soja transgênica. Os mercados consumidores compram sem restrições na sua maioria e pagam o mesmo preço.
E o Paraná, que sempre esteve na ponta em termos de tecnologias para a agricultura, corre o risco que ficar defasado se a Assembléia Legislativa do Estado votar contra o plantio. Os políticos vão tirar um dos direitos mais básicos de uma democracia, que é o direito de escolha dos produtores.
A decisão é política mesmo, pois muitos deputados individualmente são favoráveis aos transgênicos, mas seguem a orientação do governo do Estado de votar contra. Ainda corremos o risco de ver muitos agricultores plantando sementes contrabandeadas do Paraguai e do Rio Grande do Sul, desestruturando o setor do agronegócio paranaense.
Todos os produtores brasileiros serão rastreados e certificados para fins de rotulagem para que os consumidores tenham o direito de escolha de compra. Os do Paraná não terão esse direito. Os segmentos produtivos do agronegócio paranaense apelam para os deputados pela liberação do plantio dos transgênicos e mais diálogos.
Acreditamos que os deputados que nós elegemos e consideramos nossos representantes atenderão nosso pleito. Esperamos que a orientação do governo até terça-feira, dia 14, seja mudada a favor da população paranaense através de mais diálogos com os setores produtivos.
YWAO MIYAMOTO é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja)


