ESPAÇO ABERTO - Dia Nacional das APAEs
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Alvaro Isaque Guerra 
O terceiro setor no Brasil vem, ao longo dos últimos anos, desafiando-se e sendo desafiado em relação aos seus componentes e suas características mais intrínsecas. Transitou do assistencialismo caseiro para uma revolução estrutural, principalmente no que diz respeito à sustentabilidade, gestão e comunicação. Conceitos desgastados como ''filantropia'' e ''esmola'' cedem lugar ao gerenciamento empresarial socialmente responsável.
Uma sociedade participante e responsável, capaz de agir por si mesma, não espera tudo do Estado, assume também a sua parte, sem abrir mão de cobrar dos governantes aquilo que eles devem e podem fazer. Assim, na busca de soluções adequadas para os graves problemas oriundos da injustiça social no Brasil, a sociedade e a iniciativa privada, além de gerar riquezas e absorver mão-de-obra, devem também se inserir na esfera da responsabilidade social.
É preciso tomar iniciativas e participar de programas assistenciais, seja com recursos diretos ou apoiando e incentivando seus funcionários a fazê-lo, como parceiros, colaboradores ou voluntários. Somente assim será possível minimizar questões que demandam determinação e que não podem ficar apenas atreladas ao poder público, que não tem a necessária agilidade e vontade para questão tão importante.
O pouco que cada um realizar será de grande valia, pois multiplicando as iniciativas voluntárias de pessoas e empresas, estaremos ampliando os recursos necessários ao enfrentamento da exclusão social e a melhoria da qualidade de vida de pessoas portadoras de deficiências, que hoje representam 10% da nossa população, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Por esse motivo, que muitos desconhecem, esta é uma causa que exige maior atenção do Poder Público e de toda a sociedade.
No dia 11 de dezembro de 1954, foi fundada a APAE da Guanabara, hoje APAE do Rio de Janeiro. Neste Dia Nacional das APAEs, visite e conheça os trabalhos da APAE de sua cidade, e saiba que ela, por mais dificuldades que tenha passado, nunca abandonou seu compromisso principal, que é: ''prevenir a deficiência, facilitar o bem-estar e a inclusão social da pessoa portadora de necessidades especiais''.
Faça parte deste grupo de cristãos que acredita que, ''só conseguiremos melhorar nossa própria qualidade de vida, quando conseguirmos melhorar a de todos aqueles que estão a nossa volta''. Ao permitir às pessoas portadoras de deficiências a convivência social, o exercício da solidariedade e a vivência de novas experiências, reforçamos sua auto-estima, autonomia, qualidade de vida e cidadania.
''A maior felicidade não é ter ou ser, mas sim poder doar-se''.
ALVARO ISAQUE GUERRA é professor, advogado e presidente da APAE de Florestópolis


