São 150 anos do movimento de mulheres em busca da equidade de gêneros para a construção de uma sociedade mais democrática. Nesta trajetória o movimento se caracterizou por diferentes lutas. Primeiro foram as lutas para conquista das reivindicações trabalhistas. Num segundo momento, pelos direitos específicos da mulher e por sua visibilidade na sociedade e no mundo político. Hoje, em pleno século XXI, no Dia Nacional da Mulher, a luta que deve caracterizar o movimento de mulheres é pela concretização das mudanças através da implantação de políticas públicas com perspectiva de gênero em todos os setores: habitação, meio ambiente, saúde, educação, planejamento, desenvolvimento, trabalho, cultura, transportes.

Todo o conhecimento acumulado em um século e meio de movimento da mulher de nada servirá se as propostas que surgiram, a partir dos diagnósticos da condição da mulher feitos nesta trajetória, não se traduzirem em transformação da realidade. Isto irá acontecer de forma mais contundente quando as mulheres conquistarem os espaços públicos de decisão e, concomitantemente, os governos instituídos se imbuírem da tarefa, como alguns já o fazem, de criar políticas públicas de gênero.

Não podemos falar em equidade de gêneros enquanto for cerceada às mulheres a ocupação dos cargos de poder de decisão na esfera pública e no mundo do trabalho. Este é o grande passo que deve ser dado neste momento. Os espaços existem e nós precisamos ocupá-los participando de partidos políticos, nos integrando à sociedade, saindo do campo privado para o campo público e mostrando que a participação da mulher é fundamental para a construção de uma nova ordem social. Se quisermos uma sociedade fraterna e justa, é preciso a participação da mulher na sua construção.

Não resolveremos as situações de violência, de discriminação apenas com discursos, leis e cotas, mas com políticas públicas e uma mudança da mentalidade de nossos governantes. Os conselhos municipais e estaduais dos Direitos da Mulher são um instrumento importante nesta tarefa. Só haverá uma inserção da mulher na sociedade dentro de uma nova perspectiva de cidadania, se tudo que produzimos no último século e meio se traduzir em uma nova ordem social fundada na equidade.

ELZA CORREIA é deputada estadual pelo PMDB-PR e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher

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