A campanha ''Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania'', um movimento da sociedade Civil e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados pela exigência dos direitos humanos na programação de televisão, está propondo uma grande mobilização para o dia 17 de outubro, domingo, eleito como o ''Dia Nacional Contra a Baixaria na TV''.
Como cidadãos, é importante aderirmos e divulgarmos este movimento. Reagir talvez seja a palavra certa. Estamos acostumados a ficar esparramados e inertes no sofá, apenas absorvendo as programações boas e ruins da televisão ou, às vezes, até criticando um programa ou outro, mas quem ouve são apenas nossos esposos, esposas e filhos, porque reclamamos dali mesmo, de cima do sofá.
As emissoras se valem de uma concessão pública para transformar a violência em espetáculo, quando poderiam propor um debate mais aprofundado sobre o assunto. Os apresentadores dos telejornais policiais, por sua vez, fazem apologia ao crime. Evidente que a TV não é a culpada pela criminalidade, mas é co-responsável pela cultura de violência que afeta toda a sociedade. Exercer nosso direito e fazer pressão contra programas que disseminam violências, preconceitos, informações equivocadas, medo e ódio, é trabalhar na defesa da sociedade.
A campanha ''Quem financia a baixaria é contra a cidadania'' tem sido vitoriosa na luta contra os programas apelativos exatamente por atingir o ponto fraco das emissoras: o prestígio junto aos anunciantes. Tanto que muitos apresentadores e programas têm procurado mudar seu perfil, para escapar do ''ranking da baixaria'' da Comissão de Direitos Humanos.
O que devemos fazer é sair das críticas abstratas, que não mudam nada nem atingem ninguém. Por isso, a idéia da campanha é ''faça uma ação contra a baixaria na TV''. É algo simples, mas exige levantar-se do sofá. A luta tem três diretrizes: respeito aos direitos humanos na programação da TV, democratização do acesso aos meios de comunicação e defesa dos sistemas público e comunitário de televisão.
Entre as ações propostas pela campanha está a de que o telespectador desligue seu aparelho televisor, de preferência no horário nobre de domingo, ou seja, na parte da tarde. E, já que é domingo, que as missas, cultos e congregações religiosas discutam o tema e incentivem a participação de seus fiéis. Outra sugestão é ligar para os serviços 0800 e ouvidorias dos órgãos públicos, redes de televisão e rádio, reclamando o respeito aos direitos humanos.
Só a atitude pode trazer mudanças e melhorias no conteúdo da comunicação televisiva.

CRISTIANE GARCIA GRANDE é jornalista em Londrina

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