Hoje, 15/12/21, é um dia histórico para o Paraná. Foi aprovada por ampla maioria na ALEP, a Lei Geral das Universidades (LGU), ou melhor, a LDU (Lei da DESTRUIÇÃO das Universidades). Há 50 anos, os governos Federal e Estaduais iniciaram um processo de DESTRUIÇÃO das escolas públicas, dos primeiro e segundo graus, no país, que eram frequentadas por todos os alunos, de todas as classes sociais. O nível dessas escolas era excelente.

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO ABERTO - Desconstruindo a  Universidade Estadual de Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro

Até então, as escolas particulares dos primeiro e segundo graus eram consideradas de péssimo nível, conhecidas à época como “pagou passou”, e raramente seus alunos logravam êxito, em serem aprovados em universidades de excelência. Pois bem, também há 50 anos a UEL, UEM e UEPG estavam sendo criadas, por meio uma luta grandiosa de suas comunidades, que queriam que seus filhos pudessem ter um bom ensino superior, no interior do Estado do Paraná, e conseguiram, era então o governo Paulo Pimentel.

Essas universidades conseguiram com muita luta, competência e entrega de seus servidores (docentes e agentes universitários), se destacarem em nível nacional e internacional. Há alguns anos, a UEL e UEM figuram entre as 25 melhores universidades do Brasil em avaliações nacionais e internacionais, e se consolidaram, não só pela excelência dos seus ensinos de graduação e pós-graduação, mas por suas pesquisas realizadas e na prestação de serviços à comunidade por meio de sua extensão universitária, como deve ser uma universidade séria e que tem responsabilidade com o público que a sustenta, com seus impostos.

Hoje, infelizmente, as nossas escolas públicas de primeiro e segundo graus estão sucateadas (escolas para o ensino fundamental e ensino médio) e seus níveis, salvo honrosas exceções, estão entre os piores do mundo, e nelas só estudam os filhos das famílias menos favorecidas, enquanto os filhos das famílias mais abastadas, e em sua maioria, famílias que com grandes sacrifícios pagam o estudo de seus filhos em escolas particulares do primeiro e segundo graus.

Hoje, inverteu totalmente o que acontecia há 50 anos. Pois bem, com a aprovação da tal LGU vai também, mas não será do dia para noite, nem tão pouco nesse mandato do atual governador, inverter a lógica nas universidades públicas de ensino superior no Paraná, que são as melhores instituições de ensino superior do Estado do Paraná, mas que a médio prazo serão sucateadas tal qual foram as escolas do primeiro e segundo graus públicas (escolas para o ensino fundamental e ensino médio), e as famílias, mais abastadas continuarão se sacrificando para pagar o estudo dos seus filhos em universidades particulares, que serão as melhores a médio prazo no Estado, enquanto que nas universidades públicas estarão os alunos de famílias menos favorecidas.

Não só o ensino estará sucateado, mas a pesquisa e a extensão universitária também, como chamaram a atenção, com muita propriedade, o magnífico reitor da UEL e seu vice-reitor em matéria na edição desta Folha de Londrina no dia 13 próximo passado.

Ao mesmo tempo que a LGU implode com o ensino superior de qualidade no interior do Estado, a atual administração do Estado do Paraná aumenta a sua renúncia fiscal de R$12 bilhões em 2021 para R$17 bilhões em 2022, como afirmou o Conselho Universitário da UEM em sua Carta Aberta aos 13/12/2021.

Parabéns, governador Ratinho Junior, assim como o governador Paulo Pimentel, o senhor ficará na história, mas não por construir as universidades estaduais paranaenses e possibilitar o crescimento do interior do Estado do Paraná, mas por destruí-las e condenar o interior do Estado ao subdesenvolvimento.

Marcos de Castro Falleiros, professor do Departamento de Física da UEL

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