No ano em que Londrina completa 70 anos é com tristeza que assistimos o descaso com o meio ambiente. De uns anos para cá a política ambiental da cidade ficou reduzida à propaganda política e ao discurso eleitoral. Observamos não só a falta de investimento no setor, bem como do abandono de políticas anteriormente implantadas e solidificadas.

A Autarquia Municipal do Ambiente que no ano de 1995 contava com amplo quadro técnico e de funcionários, hoje se encontra esvaziada e destituída de funções. As responsabilidades que sobraram foram transferidas para a CMTU, núcleo centralizador do poder municipal, sem que uma filosofia ambiental as acompanhassem. Programas de parceria como o ''Adote um Jardim'' foram cancelados. O projeto de Educação Ambiental, desenvolvido pela autarquia, que atendia as escolas estaduais e municipais diariamente também foi extinto. A Central de Entulhos, programa de transformação de restos de construção em material para novas moradias, foi abandonada.

Entendemos que cada gestão prioriza determinadas questões, para isto serve o planejamento estratégico e o orçamento participativo, mas entendemos também que, ao se optar por um caminho, os outros não devam ser deixados à própria sorte, principalmente em se tratando de uma questão tão séria quanto a ambiental.

Toda esta indignação tem como ponto de partida a situação atual do Parque Municipal Arthur Thomas, indicador da saúde ambiental da zona sul de Londrina.

O parque, como receptor final das águas do vale do Cambezinho, tem sofrido com práticas equivocadas nas áreas de seus afluentes, bem como no entorno de seus limites. O impacto mais proeminente, porque mais visível, é decorrente do aumento da densidade populacional em seu entorno, sem que regras mínimas de urbanização tenham sido observadas. A impermeabilização do solo, resultado da expansão de loteamentos legais, sem infra-estrutura básica, tem acarretado um aporte de águas fluviais acima da capacidade suporte do rio, localizado no interior do parque. A consequência imediata e de reversibilidade discutível é a enorme erosão ocorrida dentro dos limites deste, assim como o assoreamento do rio.

A história de Londrina, de seu pioneirismo tão enaltecido, também tem sofrido consequências desastrosas. A primeira usina hidrelétrica do município, localizada no interior do parque foi totalmente tomada pela lama que desceu das encostas, e com ela parte da história da cidade.

Estamos em ano eleitoral e a expectativa é que no tempo que ainda resta a esta gestão, possamos sentir através de atitudes concretas do poder municipal, que a questão ambiental seja encarada de maneira mais responsável, além das ladainhas de propagandas e discursos eleitorais.

MÁRCIA FERREIRA DE OLIVEIRA é socióloga e ARTHUR DOS REIS GONZAGA é agrônomo em Londrina

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