Em nosso glorioso país circulam perto de 20 milhões de armas de fogo. O incrível disso tudo é que apenas 2 milhões dessas armas estão registradas. Somos cônscios que o governo tem de encontrar uma fórmula para restringir o poder do uso de arma de fogo. Mas, fazer uma lei que desarme a população? Ora, dá licença senhores congressistas!
O povo tem que ter consciência que não é andando armado que estará seguro, muito pelo contrário. Há a necessidade, desse mesmo povo, se educar para viver em uma sociedade mais humana e digna. Pois, como é do conhecimento de todos, nossa sociedade está perdendo, cada vez mais, sua identidade. As famílias já não andam mais à noite nas praças, nas ruas e evitam sair de casa, tudo por causa da violência instada.
Nossos representantes - Câmara e Senado - teriam que discutir e propor a obrigatoriedade de uma pedagogia diferenciada e voltada para a reeducação dos filhos, que ora se afloram em nossa pátria e não propor e/ou discutir se deve ou não o povo andar armado. Nenhuma das duas propostas acima - armar ou desarmar - irá solucionar os nossos problemas. Pois, o que adianta desarmar a população cívica se para a população bandida não há a necessidade do registro das armas? É o mesmo que enxugar gelo.
Vejam só um exemplo típico e de fácil controle: na Ponte da Amizade, divisa do Brasil com o Paraguai, passam milhares de pessoas diariamente, que vão buscar mercadorias contrabandeadas. Se ali que é de fácil controle, pois é apenas uma ponte, as autoridades não conseguem fiscalizar, imaginem fiscalizar todo o território nacional e controlar quem está andando armado ou não.
Ora, vamos, senhores, isso é bravata pura. Seria o mesmo que combater as drogas. Há anos as autoridades tentam reprimir quem comercializa as drogas, mas não consegue, pois a máfia se estende por todos os cantos, inclusive dentro da corporação que nos ''protege''. Como é sabido, a própria polícia dá respaldo aos bandidos, infelizmente.
Caso seja aprovada tal lei, será mais um nicho mercadológico para os bandidos e traficantes, que trabalham na clandestinidade. Nesse país quem ganha dinheiro são os contraventores, porque os leais - aqueles que recolhem seus impostos certos - estão excluídos, essa é a pura verdade.
O que o governo tem a fazer - pois os anteriores nunca fizeram - é obrigar o cumprimento da lei, ou seja, fazer a lei ser viva em todos os cantos, seja para os plebeus ou para as elites. Enquanto muitos humanistas defendem o bandido, a população honesta está morrendo, por falta de se fazer cumprir a lei. Tudo isso nas barbas do governo.
Queremos viver tranquilos! Isso só será possível quando for colocada em prática a obrigatoriedade de se educar, para se tornar um cidadão, caso contrário não avançaremos. Podemos ter belas leis - bem elaboradas ou messiânicas -, mas se não haver, dentro das mesmas, o alicerce que educa a sociedade cívica, não chegaremos a lugar algum. Educação não é só um dever. É, também, uma obrigação necessária para todos.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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