Falar que a crise financeira assola o País é chover no molhado. Mas, como reflexo dessa mesma crise, estamos sim é vivendo a era dos desapaixonados. Sem paixão estão os casais. Sem paixão estão os jogadores de futebol. E sem paixão está a grande maioria dos profissionais e políticos brasileiros.

Há exceções é claro, mas por conta da pressão e da intolerância já não se vêem mais casais se apaixonando e procriando, conforme a Lei Divina, mas separando-se ou tendo apenas um filho para não prejudicar a educação do mesmo, já que o alto custo de uma educação poria em risco o desenvolvimento intelectual de uma grande prole.

Por conta da ganância, ou por conta da sobrevivência, não se vêem mais os profissionais dedicados à causa que abraçaram ou à profissão com a qual sempre tiveram vocação. Tudo em nome do valor. Valor financeiro que mantém o padrão de vida, ou que impede o crescimento profissional.

Dia desses dei carona (o que só recomendo em casos muito especiais) para um policial militar que trabalha na segurança de um presídio no interior de São Paulo. Seu maior sonho era a faculdade de Direito, mas a vida fez com que começasse a trabalhar cedo e o concurso para a PM lhe parecia solução para sustentar a família.

Ocorre que hoje, desencantado com o salário e o alto risco que a profissão lhe impõe, não vê a hora de voltar para casa a salvo e continuar rezando para não ser designado ao trabalho nas ruas, onde o risco de perder a vida é muito maior. Prefere continuar a ronda no alto da muralha, longe dos tiros e da perseguição aos ladrões de bolsas, relógios e celulares.

Já estamos acostumados a ver políticos mudarem de partido por conta das benesses, ou mesmo do cargo que receberão caso venham a ingressar em outra legenda. Estamos nos acostumando a ver políticos receberem suas propinas para garantir carrões, viagens de luxo e contas na Suíça.

Já estamos acostumados a ver um jogador de futebol mudar de time, e até de país, por conta dos polpudos dividendos que receberá com a venda de seu passe. Quantos e quantos casos poderiam ser relatados? Inúmeros!

A verdade é que estamos nos acostumando a ver mais e mais casais, políticos e profissionais sem paixão. E sem paixão, esse país não anda! Acorda e anda Brasil!

ROBERTO KELLER JÚNIOR é jornalista e estudante Direito em Londrina

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