Quando nos deparamos com o período eleitoral aplicamos ao pé da letra nosso papel de cidadão. É nesse período que somos os protagonistas da representatividade democrática, ou seja, por meio de nosso voto é que contribuímos com a democracia e nos tornamos cidadãos. O artigo primeiro, parágrafo único, da Constituição Federal, diz: ''Todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos dessa Constituição''. Essa alusão nos eleva a cidadãos de direitos e que nos garante a democracia, a qual é exercida por meio da cidadania e do voto.
Como observa o professor de Direito Constitucional da Unopar, André Trindade, quem não participa ativamente das eleições não tem cidadania, fica excluído da vida social, marginalizado do convívio e torna-se inferior aos demais cidadãos.
A democracia é elemento permanente do Estado. Ela garante ao povo vida eleitoral, momento em que cada um representa suas opiniões sobre os candidatos que melhor administrarão os poderes Executivo e Legislativo. Denota-se ainda que a democracia representativa é uma forma em que o Estado organizou para o povo exercer a cidadania e votar. Vale lembrar que o Brasil adota a democracia representativa, pois não é povo quem governa, mas dá poderes aos candidatos para representarem suas vontades.
Por isso, devemos votar com consciência e não nos deixar levar apenas por influências pessoais em relação aos candidatos. Se votarmos apenas com consciência de obrigação, estamos ceifando o próprio direito ao pleno exercício e gozo à democracia e cidadania. Votar com consciência é recordar que um dia esse direito não existiu, é lembrar também que foi por meio de muitas manifestações, paralisações e mortes que a democracia retornou às mãos povo, antes presa nas garras de militares durante a ditadura. Votar de forma livre e imparcial é que faz correr em nossas veias sangue verde e amarelo.
EDUARDO AUGUSTO MANSANO MANSO é estudante de Direito naa Universidade Norte do Paraná em Londrina



Mais poder e ganho e menos ideal
Em tempo de eleição ouve-se sempre o discurso de que é preciso votar com consciência e escolher os melhores. Certo, mas para isso precisaríamos de uma vara de condão, porque não temos garantia de que os aparentemente bons o sejam realmente; ou, bons que sejam, não se deslumbrem com o poder e se desvirtuem. Temos então de votar no que o meio social nos disponibiliza e seguir a intuição.
Um sábio ancião que conheci costumava dizer que quando alguém se candidata, já deveria ser investigado por suspeita de más intenções. Ele ia além e proclamava que, se eleito, o candidato deveria, como garantia, colocar seus bens sob custódia da Justiça, até que se findasse o mandato. Medidas austeras, porém muito pior é o detentor do poder público superfaturar obras, compras e serviços em benefício próprio, aprovar projetos escusos ou desaprovar outros em prejuízo da comunidade, em troca de propinas. Assim tem sido na desastrada história política brasileira, porque a corrupção já começou no Império. ''Feita a lei, feita a fraude'', já se dizia há dois mil anos.
Nós sabemos - e os candidatos também - que a maioria dos concorrentes a cargos eletivos tem baixa formação política e busca antes de tudo o poder (ou manter-se nele); outros só pensam no bom emprego e nas regalias do mandato. Já se escreveu que as escolas deveriam ter cursos de política pública e moralidade, e a lei só admitir candidatos com tal graduação. Isto não seria certeza de antirroubo, mas um bom começo. Para tudo se exige habilitação e bons antecedentes, menos para governante.
O meio político é por natureza tentador, e não é a melhor das escolas. Antes, um ambiente densamente contaminado, onde escasseia o espírito público. Platão dizia que ''os reis deveriam ser filósofos'' para reunir poder e sabedoria. Assim também deveria ser hoje com nossos governos. É prudente ressaltar que há louváveis exceções na vida política, do mesmo modo que o tecido social - de onde os políticos emergem - compõe-se dos bons e dos nem tanto. Mais do que eleger, compete então à parte sã da sociedade policiar continuamente - e até pelo enfrentamento direto, se necessário - aqueles que colocamos no poder.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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