ESPAÇO ABERTO - De quem é a culpa?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de junho de 2012
Mauro Vasni Paroski <br> <br> 
Amado por poucos e odiado por muitos, com a mesma intensidade e pelos mesmos motivos, quais sejam, sua transparência e franqueza em suas manifestações. Tinha consciência de suas angústias, falhas e imperfeições. Concluiu que as pessoas sentem-se confortáveis quando se convencem de que tudo de ruim que lhes acontece é por culpa dos outros. Que ótimo ter alguém para transferir nossos pecados e expiar nossas culpas!
As justificativas são as mais variadas: vítimas do capitalismo, do regime político, da globalização econômica, do patrão, do vizinho, dos colegas da escola ou do trabalho, e por aí vai, em uma infinidade de motivações que aliviam suas consciências e acalmam suas aflições.
Os pretextos para a infelicidade e o insucesso podem ser qualquer um, funcionando como analgésicos para a alma. Muitos intelectuais, notadamente aqueles de formação adquirida por uma espécie de processo de adestramento cultural, ingênuos úteis e desprovidos de senso crítico, acreditam, sinceramente, que somos vítimas do sistema como um todo e não de nós mesmos em primeiro lugar.
Tem uma corrente, por exemplo, que sustenta que os miseráveis e os excluídos são apenas vítimas do capitalismo vigente. Para ele, essa visão de mundo revela miopia, imaturidade e incapacidade de compreender a vida. É muito pobre e simplista. Ele analisou o passado e concluiu que, inegavelmente, enquanto fatos históricos, os regimes socialistas e comunistas, bem como a monarquia em sua época de ouro, com o apoio (ainda que por censurável omissão) de instituições sociais seculares, também fizeram milhões de vítimas.
Apenas quem nunca pecou pode atirar a primeira pedra. Nesse assunto, não temos somente anjos e santos de um lado e demônios e pecadores do outro. É cômodo e não dá muito trabalho ao nosso - comprometido e pouco usado - cérebro aliar-se confortavelmente em um dos lados e desprezar as demais possibilidades.
A história demonstra que ausente alternativa reputada excelente ou pelo menos boa, fica-se com a menos pior. Podemos - e devemos - defender nossas posições, mas sem radicalismos, admitindo que outras são possíveis e também defensáveis.
Não é razoável e carece de provas apontar a sociedade e o seu sistema político e econômico como únicos, e nem mesmo como principais, culpados por nossa miséria cultural e material.
A ideia de igualdade entre as pessoas é preconizada pelas sociedades democráticas contemporâneas. Seu significado, porém, deve ser bem compreendido. Sequer é possível afirmar que de fato é desejável e deva ser buscada em sua plenitude.
Talvez, devêssemos distinguir igualdade de identidade. A primeira somente pode ser entendida como possível onde há diferenças, e mesmo assim, até certa medida. Identidade significa ser o mesmo e, neste enfoque, é incompatível com a natureza humana e suas incomensuráveis riquezas e necessidades.
As diferenças sempre existiram e assim será enquanto houver vida neste maltratado planeta. Pode-se distribuir igualitariamente todos os bens disponíveis no mundo entre as pessoas e em poucos anos haverá ricos e pobres.
As escolhas, certas ou erradas, definem o futuro de cada um. Somos culpados por nossas decepções e também por nossa felicidade. Que cada um se responsabilize por suas escolhas!
MAURO VASNI PAROSKI é juiz do Trabalho em Londrina
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