ESPAÇO ABERTO - Das sutis malvadezas humanas
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quinta-feira, 11 de novembro de 2004
Walmor Macarini 
Se estou de pé e posso sentar, eu sento; se estou sentado e posso deitar, eu deito; se estou deitado e posso dormir, eu durmo. Se devemos nos ocupar das coisas do espírito, temos de cuidar também do corpo. Entre tantas coisas, é bom dormir 30 minutos depois de cada refeição. Quem adotou essa prática ao longo da vida durou duas vezes mais e viveu sempre disposto.
Mas a razão deste tema pouco usual em meus escritos é dizer que as pessoas deveriam ser mais consideradas por empresas e instituições. Por exemplo, os bancos afinal adotaram os bancos, para as pessoas que aguardam, mas ainda há longas e demoradas filas de gente em pé, diante das caixas. E os supermercados e lojas, por que não têm bancos ou cadeiras, para o cliente ao menos dar uma rápida descansada? Falo sobretudo em nome das pessoas idosas. Não custa nada colocar umas cadeiras, que não ocupam espaço e não atrapalham. Só trazem benefícios.
Entro num destes gigantes mercados e descubro que colocaram um banco, próximo de uma das caixas. Não sei se existem outros, mas vi pelo menos um, e é um começo. O banco é de três lugares, mal-elaborado pelo marceneiro, que não se ateve a requisitos da anatomia humana. Mas uma pessoa cansada que espera na fila do caixa já pode sentar-se e possibilitar revezamento, já que o banco é muito requisitado, por ser um apenas.
As praças de Londrina têm poucos bancos. Alguns foram deliberadamente construídos com corcovas, como a dos camelos. Eu quis saber por que e me informaram na Prefeitura faz muitos anos que era para ninguém dormir no banco. Pura maldade. Em muretas baixas defronte de bancos e casas comerciais colocaram gradinhas dentadas, para ninguém se sentar. Mais malvadeza.
Hotéis de Londrina cidade onde o calor de verão é de 35 graus obrigam seus frentistas a usarem pesada vestimenta, com botões até o pescoço e mangas longas, que é para o pobre que ganha salário mínimo e algumas magras gorjetas sofrer muito. E o pior: a roupagem é preta, para absorver com mais intensidade os raios solares. E um boné cheio de dourados no estilo chefe de estação de trem. Tudo por sadismo do dono.
E os policiais falo ainda de Londrina e das cidades quentes deste Norte do Paraná por que não usam fardas como as dos colegas das praias, no estilo bermuda? Tal não lhes tira a autoridade. E os advogados, como sofrem! Para a audiência eles têm de usar terno e gravata, ou ao menos paletó. Uma togazinha púrpura no ombro se é que é preciso ficaria legal. Legal por lei e legal porque tudo bem! Quando vejo alguém de gravata, em Londrina que não seja em dia e hora de casamento já sei que é um ilustre causídico.
Minha sábia e santa avó, que ensinou seus dezesseis filhos a não praticarem maldades, dizia com absoluta certeza que quem faz essas coisas tem muita dificuldade em entrar no Céu. Muitos ela alertava ficam anos e anos esperado, em pé, vestidos de calorentas roupas e tendo por banquinho uma mureta de grade dentada.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


