Fica evidente a todos que desembarcam em Cuba, o esforço daquele povo para manutenção do governo revolucionário instalado em 1959, por Fidel e seus companheiros. Com superfície de 110.992 km2 e cerca de 11 milhões de habitantes, ou seja, como o Paraná, saltam aos olhos os avanços e progressos na área de saúde e educação. Ficam também explicitados os vários problemas de um país que apesar do embargo dos EUA resiste por 45 anos com dignidade e otimismo.
Em recente viagem à ilha como integrante de uma comitiva do Governo do Paraná e da Assembléia Legislativa, trouxe na bagagem experiências e exemplos de um povo consciente, agente da história, que se esforça em manter o considerável ganho social dos últimos 45 anos. Em Cuba não há poluição visual de propagandas, o comércio é pequeno e a disponibilidade de produtos limitada. A beleza da ilha se traduz em um verdadeiro museu arquitetônico a céu aberto. As construções fortemente influenciadas pela arquitetura espanhola tiram o fôlego, tudo é muito limpo e aos nossos olhos de país capitalista, tudo muito simples.
Lá, o investimento do governo não se dá em estruturas burocráticas, mas sim nas pessoas. O analfabetismo está erradicado, a mortalidade infantil atinge 6.2% - uma das menores do planeta - e praticamente não há mortalidade materna. Todos as crianças estão nas escolas, onde permanecem das 7h às 17h. Além do currículo normal, aulas de música, línguas e informática. Do material ao uniforme, tudo é fornecido pelo governo. Os portadores de necessidades especiais são tratados com atenção ímpar.
O principal hospital de Cuba, Hermanos Almeijeiros, tem quase mil leitos, com 40 especialidades e atende diariamente 11,5 mil pacientes, com 2,3 mil diagnósticos/dia. O sistema médico de família evidentemente funciona muito bem e a maioria da população é atendida na medicina preventiva. Em Cuba existem 67.079 médicos, 30 mil deles médicos de família que moram e atendem a comunidade onde moram. A prioridade é a saúde materna infantil.
A participação nas mulheres também impressiona. Em companhia de Gleise Hoffman, Diretora Financeira de Itaipu, visitamos a Federação das Mulheres Cubanas, que tem levado as mulheres a participarem nas posições de poder e decisão. São seis ministras e 29 vice-ministras, além de 250 participantes da Assembléia Nacional (35% do total). As mulheres estão representadas nas mais diferentes áreas como trabalhadoras, líderes ou militantes e 85,1% delas pertencem à Federação.
O resultado da viagem foi positivo para o Paraná. Os secretários de Educação e Saúde, Maurício Requião e Cláudio Xavier, assinaram termos de cooperação significativos. A Diretora Financeira de Itaipu assinou, ainda, termo para implantação na fronteira de Foz do Iguaçu de um Hospital de Doenças Tropicais, setor destacado em Cuba.
Problemas? Sim, muitos. A oposição ao governo na ilha é de apenas 3% da população, a frota de carros está sucateada, os salários são baixos, há grandes dificuldades econômicas, problemas com a abertura para o turismo e prostituição. Acima disso, um povo alegre e orgulhoso de seu país, culto e saudável. Estes, sem dúvida, os maiores ganhos da revolução cubana. Com eles, aprendemos e reafirmamos a posição de que quando há vontade política e valorização do homem tudo é possível.
ELZA CORREIA é deputada estadual pelo PMDB

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