ESPAÇO ABERTO - Criar idéias de abundância
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Walmor Macarini 
Natural que apenas idéias não movem montanhas, sendo necessário também sair atrás do que se quer, mas é preciso criar na mente situações de abundância e manter esta convicção, ou o esforço físico adiantará pouco. Há pessoas que lutam, são honestas e bem-intencionadas mas não prosperam economicamente, porque os braços puxam para a frente mas a cabeça puxa para trás. Ou seja, não crêem no próprio trabalho ou no seu negócio e vivem continuamente dizendo que tudo vai mal. Adquiriram o vício dessa ladainha e já nem percebem, mas não imaginam quanto isto é nocivo, porque aquilo que pensam, sentem e dizem, têm forte poder criador.
Os céus não são contra o dinheiro, o conforto, a boa saúde e o bem-estar. Pois o que se ''ouve dizer'' do ambiente do Paraíso é que lá só existem palácios e que eles são de ouro e cristal, com extensas salas e colunas incrustradas de diamantes, vastos jardins, vestes cintilantes e em tudo a luz e a beleza. Já por aqui o homem tem confundido as coisas, imaginando que pobreza é um atributo, que ser pobre é uma condição de humildade e que é preciso conformar-se com isso.
A abundância é compatível com os padrões divinos, então há que buscá-la, porque o manancial é rico e inesgotável e está disponível. Reivindicar essa riqueza, que já nos pertence por dádiva divina, e permiti-la, significa crer que ela existe e que é também nossa. Não se pode tratá-la com desprezo e maculá-la com negativismos, porque dessa forma ela se manterá distante.
Se abarrotamos nosso reservatório com sentimento de descrença, então ali não sobra lugar para o dinheiro. É preciso primeiro esvaziar esse depósito de quinquilharias que os sentimentos e as palavras criam, senão onde vamos guardar a riqueza? Muito pior é quando, mesmo que tenhamos comportamento de honradez e de dedicação ao trabalho, vivemos fazendo julgamentos acerca dos outros e gerando ódios contra tudo e contra todos. Em meio a essa densidade nada de bom consegue entrar.
Mesmo pessoas mansas, se ficam semeando negatividades e vendo as coisas com olhar de pobreza, dificuldade, pessimismo, conformismo, viverão dentro desse universo que criam, e não sairão do lugar. Não sabem que assumem débitos por isso, eis que sempre há os que dependem delas, e elas próprias têm uma responsabilidade perante a vida.
Cultuar a pobreza é um ato irresponsável. Diferente de pessoas que se predispõem, voluntariamente, a uma vida simples, e nunca se queixam. Essas pessoas são raras. Cada qual que viva na pobreza talvez afirme que é uma delas, porém apenas pensa-se consciente, mas na verdade é uma conformada. E conformismo é um estado de dependência, não de libertação.
Se queremos riqueza, temos de pensar riqueza, ir buscá-la na fonte; temos de criar idéias de abundância; ver a riqueza nos outros como saudável, sem questionar como a obtiveram, e evitar julgamentos. Não é da nossa alçada julgá-los. Ademais, porque também buscamos a riqueza, e então não podemos condená-la. Devemos chamar a riqueza, vê-la chegando, sem o mínimo resquício de dúvida. A riqueza aprecia esses afagos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


