ESPAÇO ABERTO - Crianças como escudos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Edson Neme Ruiz 
Documento assinado por Maria Inês Lauber Coelho, do Conselho Tutelar de Ortigueira, no Paraná - com data de 24 de agosto - declara ser de seu conhecimento que membros do MST estiveram na cidade recrutando crianças para reforçar as fileiras dos invasores da Fazenda Vale do Sol, naquele município. A tática é usá-las como escudo, segundo a denúncia.
A afirmação ainda mais grave da conselheira tutelar é que essas crianças passam privações pois habitam barracas de lona, em noites de baixa temperatura e estão impedidas pelos líderes invasores de retornar aos seus lares. As conselheiras tutelares, pela declaração de Maria Inês, estão proibidas de prestar qualquer atendimento a elas.
São acusações que, por outro lado, atestam aquilo que todos sabem: a presença de crianças, mulheres e idosos, na maior parte compondo famílias de invasores, inibem qualquer ação por parte dos proprietários rurais em defesa de suas terras e de seus cultivos, até porque não desejam e não é de sua índole um tal tipo de confronto.
Já entregamos pessoalmente ao governo do Estado o documento contendo essas denúncias, por entendermos que este é o caminho a seguir, quando se busca a paz no campo com ordem e progresso, como postula o dístico da bandeira nacional.
Esta é a realidade que vivemos hoje no campo, com a insegurança imperando, e justamente neste que é o mais importante dos segmentos da produção, porque encarregado de uma das mais preciosas necessidades humanas: produzir alimentos, ademais proporcionando empregos e robustecendo a receita com as exportações de produtos da lavoura e da pecuária, como hoje acontece.
Parece que, por desempenhar essa missão, a classe dos agricultores e pecuaristas deva ser punida, pois é a mais sacrificada, pela própria natureza do seu trabalho e pelo clima de intranquilidade em que vive, face à constante ameaça do fantasma das invasões.
A ausência de um projeto governamental consistente e duradouro, a presença de uma lei trabalhista inadequada para o campo (desde quatro décadas atrás, quando equiparou o trabalhador rural ao urbano), propiciou a degringolada das relações de trabalho no meio rural. Isto porque são díspares os modelos de trabalho do operário urbano e o rural. O resultado foi a debandada das famílias para as cidades, o inchaço das favelas, os acampamentos à margem das rodovias e o oportunismo das invasões de terras, implantando a insegurança e a quebra da ordem constitucional.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina


