ESPAÇO ABERTO - Crença no próprio poder
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Walmor Macarini 
Muitos homens notáveis que a humanidade conheceu eram pobres e obscuros. Se eles saíram dessa condição e ganharam notoriedade, não foi por acaso, mas porque tinham uma fé inquebrantável em si mesmos e naquilo que desejavam. Eram homens obstinados, embora esta não fosse uma doutrina que cultuassem mas um procedimento natural, que lhes era inerente. Homens assim, como ainda hoje, não têm propriamente metodologia de ação previamente estabelecida ou aprendida em escola. Isto é neles uma espontânea impulsão.
Porém é possível desenvolver essa dinâmica de crença, pelo exercício do começar a crer, do auto-estimar-se e sobretudo do auto-saber-se. Se nos qualificamos insignificantes, incapazes, cheios de defeitos e de culpas, aí nada vai para a frente, ou vai muito devagar. Temos de nos saber poderosos, porque somos chama divina. Somos, portanto, deuses, e como tal co-criadores, movidos pela propulsão da grande usina cósmica, da qual fazemos parte.
A consciência do que somos nos tornará confiantes e livres. Porque o que somos remonta à nossa origem cósmica, já o quem somos tem relação apenas com nosso nome, nossa idade física, nossa personalidade, portanto o irreal, o temporário, o não-verdadeiro. Essas coisas não são o nosso poder maior, porque o poder original em cada um é aquele quase nunca utilizado e que se move pelo comando do Eu Superior, presente em todos os seres. Se resolvemos assumi-lo, damos um grande salto de entendimento e inclusive facilitamos a obtenção das coisas materiais que queremos. Porque não há incompatibilidade entre a matéria e o espírito, entre o conhecido e o desconhecido, enfim entre materialidade e essência. Basta estabelecer harmonia com esta verdade e com todas as coisas.
Temos de fazer as pazes com tudo: com o dinheiro, que sempre imaginamos escasso, com os tropeços, com aquelas pessoas e coisas que pensamos nossas inimigas, com os infortúnios e até com a inclemência do sol que ora acontece. Não precisamos absorver as coisas desagradáveis mas apenas entrar em acordo com elas. O que não quer dizer a indiferença, o deixar prá lá, e sim a aceitação da presença dessas coisas e a harmonização com elas. Como se fora uma reconciliação.
Não existem pessoas de sorte, existem pessoas que têm convicção; não existem azares, mas sintonias inqualificadas, que levam a desacertos. Todos temos idêntica sorte, mas a afastamos pela nossa crença em contrário; ou atraímos azares, por ficarmos pronunciando que somos azarados. Fé é crença no próprio poder, que emana da conscientização da nossa pureza essencial. O poder para as coisas ditas impossíveis tem origem na Grande Fonte. Basta assumir a certeza de que estamos conectados nela que aí o dínamo subjacente em nós começa a girar, e assim todas as rodas se movem.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


