Em 1997, a partir de investigações feitas pelo procurador federal Celso Três, em Cascavel, descobriram-se dezenas de denúncias de envio de remessas gigantescas de dinheiro para o exterior, através das chamadas contas CC5.
Após o fato consumado e farto material envolvendo políticos e empresários conhecidos do cenário nacional, os até então vigilantes parlamentares de plantão decidiram instalar uma CPI-Comissão Parlamentar de Inquérito, com todos os poderes conferidos a ela. Com os primeiros indícios, a sociedade e a mídia voltaram as atenções às investigações que apontavam, à época, ''o maior escândalo financeiro da história do país''. Com tanta munição em mãos, nem os mais céticos acreditaram que as investigações terminariam em pizza e que os deputados estavam preocupados mais em utilizar os holofotes que o caso lhes proporcionava do que apurar os desvios para que a Justiça responsabilizasse criminalmente os culpados e o erário fosse ressarcido.
Porém, em seu confuso relatório final, o deputado José Mentor (PT-SP), surpreendentemente, praticamente inocenta todos os envolvidos após uma das mais longas investigações da história política nacional. Segundo o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) o relator teria sido ''racista'' ao acusar apenas um político denunciado pela CPI, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Até o seu comparsa, Paulo Maluf, conseguiu ficar fora da lista dos denunciados.
Por conta desse relatório, até os escândalos financeiros do Banco Econômico e políticos como senador Antônio Carlos Magalhães(PFL-BA) e o ex-senador Luís Estevão saíram ilesos de qualquer punição. Sem contar outro senador, Ney Suassuna(PMDB-PB) que possuía indícios gravíssimos na operação ilegal com precatórios de Alagoas e alguns Estados do Sul do país.
Qual o sentido em se instaurar uma CPI para se investigar por mais de cinco anos milhares de empresas e pessoas físicas; criar uma expectativa nacional, gastando o dinheiro do contribuinte com viagens até para Nova Iorque, realizando audiências nos Estados e incursões nos arquivos do Banco Central para, ao final de tudo, anistiar os que se utilizaram de um expediente ilegal e inocentar a maioria absoluta dos políticos ou empresários que foram pilhados com a boca na botija?
O maior escândalo financeiro da história do Brasil virou pizza e o que é pior: agora com a chancela oficial. Não é à toa que o procurador federal Celso Três, agora lotado em Santa Catarina, indignou-se com os resultados da CPI principalmente porque o PT - que antes de ser governo era um dos maiores interessados em desvendar o imbróglio - comete o disparate de livrar a cara de corruptos, empurrando para debaixo do tapete toda a sujeira deste escândalo financeiro.
Com estes atos, fica clara a sensação de que o intrumento CPI está cada vez mais desgastado perante à sociedade. Talvez se invertêssemos as letras da sigla seria mais sincero com o cidadão brasileiro: ao invés de CPI, poderia ser chamada de CIP(Comissão para Inocentar Políticos).

* Barbosa Neto, deputado estadual e líder do PDT na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.

mockup