ESPAÇO ABERTO - Cotas x interesses mercadológicos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de junho de 2004
Dóris Andrade da Cruz 
É verdade que muito se tem discutido a respeito das cotas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), principalmente a partir do momento em que a possibilidade da implantação deste sistema está ficando mais próxima da realidade. O fato da discussão estar acirrada deve-se à ameaça aos interesses (financeiros e mercadológicos) daqueles que serão afetados com a implantação do sistema.
Recentemente em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Londrina, esta preocupação ficou bastante evidente. Foi possível observar na referida audência pública que representantes de algumas instituições que nunca se posicionaram a respeito da decadência do ensino público nos níveis fundamental e médio, agora fazem discursos dizendo como a educação dever ser conduzida, com fórmulas milagrosas, como se ninguém nunca tivesse trabalhado esta questão na nossa sociedade.
Algumas pessoas (desavisadas) dizem que a implantação do sistema de cotas tem cunho eleitoreiro questionando ''por que as discussões são feitas às vésperas das eleições?'' Isto demonstra, claramente, o quanto estes cidadãos estão alheios à pauta discutida pelos movimentos sociais, pauta preocupada em melhorar a qualidade de vida e preocupada também em promover cada vez mais a tão ''apregoada'' igualdade. Além disso, demonstram que desconhecem a trajetória e a história política dos movimentos sociais e daqueles que neles estão engajados.
Desconhecem a história e a trajetória da reitora da Universidade Estadual de Londrina, Lygia Pupatto, pessoa idônea, consciente, capacitada e com competência para instituir a transparência nas instituições públicas, como tem feito na referida universidade.
Dentro desta capacidade e competência trouxe a publico a discussão, inclusive através do CIUS (provavelmente aqueles que estão alheiros às discussões em pauta nos movimentos sociais, não sabem o que é e qual o papel do CIUS). Como vivemos num sistema político democrático aqueles que ainda não discutiram o assunto poderão fazê-lo. Basta que se organizem de forma a privilegiar a discussão visando o bem-estar e o interesse do coletivo, e não dos grupos econômicos e de elite.
Vale lembrar (aos desavisados) que a decisão será tomada pelo Conselho Universitário (provavelmente aqueles que estão alheiros às discussões em pauta nos movimentos sociais não sabem o que é e qual o papel do Conselho Universitário) de forma transparente e embasada no interesse do coletivo.
DÓRIS ANDRADE DA CRUZ é cientista social e especialista em sociologia da educação pela Universidade Estadual de Londrina


