A questão de destinar uma porcentagem de cotas nas universidades para afrodescendentes nos leva a conclusões de caráter discriminatório, não em relação a estes últimos, e sim, quanto aos cidadãos de cor branca ou similares. Para se ingressar numa universidade, independente de raça ou cor, o estudante deve se esforçar, e muito, passar noites e noites em claro debruçado sobre os livros para ter preparo suficiente para enfrentar um vestibular. Então, independentemente do fato de ter cursado uma escola secundária deficiente ou não, na verdade sua aprovação ou não, vai depender exclusivamente do próprio esforço no seu preparo para aquele objetivo.
A prova disso é que muitos estudantes brancos e também de origem negra, envolvidos nesse esforço, mesmo tendo frequentado cursos secundários deficientes têm obtido aprovação. Quer dizer que essa questão de cotas, em princípio, é injusta e francamente discriminatória e ilegal, pois impede a entrada de um estudante, digamos de origem pobre e branco, que tenha tido muita dificuldade para se preparar e que tenha sido melhor classificado que outro de origem negra. No entanto, teve que ceder sua justa e merecida vaga para aquele com classificação inferior.
Tenho orgulho de dizer que quando prestei vestibular para medicina, não tinha um pai que me mantivesse e minha mãe era simples operária de indústria têxtil, mas fui aprovado entre os primeiros 50% do total de candidatos da época. E cursara apenas o ''curso Normal'' que atualmente é conhecido como Magistério. E foi em escola pública com deficiência de professores de competência duvidosa, os quais várias vezes coloquei em situação embaraçosa, pois ''sabiam menos que eu''. E sabia que minha aprovação dependia exclusivamente de meu esforço, de minha dedicação aos estudos, e não de ''cotas injustas'' como ocorre atualmente.
Não é a escola pública deficiente que vai capacitar ou não o aluno. Essa questão de destinar uma parcela de cotas para os afrodescendentes pode ter um efeito negativo: o estudante de origem negra pode até se fiar nesse particular para se dedicar menos aos estudos, certo de que, apesar de notas menores, terá seu lugar garantido por essa norma injusta e sobretudo discriminatória. E não venham dizer que é uma questão de inteligência: é certo que há estudantes que têm melhor QI, mas se não se prepararem, não estudarem, e muito, sejam brancos ou negros, não conseguirão aprovação num vestibular. O sol nasceu para todos, e assim, os direitos devem também seguir essa premissa. Cotas para afrodescendentes: discriminação racial para brancos.

ARISTIDES ANTÔNIO JOSÉ MAKOWICH é médido em Arapongas

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