Hoje, em alguns bairros de grandes cidades, encontram-se várias clínicas de estética. São centros de emagrecimento, de massagens redutoras, de tratamento contra celulite e toda sorte de técnicas rejuvenescedoras e embelezadoras. Manter o corpo em forma, sem flacidez, celulite, no ''shape'' certo, com o tônus correto, tornou-se uma obsessão feminina. O rosto também é alvo de tratamentos questionáveis, com a onda do botox, que virou ingrediente básico para mulheres acima dos 30 anos (algumas na faixa dos 20 até arriscam o uso!).
Ao mesmo tempo, a mídia reforça a idéia de que o mais importante é o corpo, com programas de tevê, capas de revista e cartazes que exibem apenas formas estonteantes de mulheres irreais. Quem, afinal, tem o rosto de Gisele Bundchen, as pernas de Daniela Ciccarelli ou o bumbum de Scheila Carvalho? A mulher que vê essas mensagens e não tem consciência do teor e do objetivo dos apelos fica frustrada por não corresponder ao padrão. E dá-lhe dieta, exercícios na academia, massagens redutoras pagas em dez prestações...
Este mundo fantasioso que a mídia vende, repleto de pessoas lindas com corpos perfeitos, absolutamente bem-sucedidas em seus trabalhos e na vida pessoal, passa a ser o projeto de vida de um sem número de mulheres. Elas perseguem esse modelo, não conseguem tê-lo, entram em depressão, e não percebem que o melhor é ir atrás do próprio projeto de vida, de sua história pessoal. E não perseguir o ''script'' da moda.
Falar de valores internos hoje passa até a ser curioso. Quase ninguém comenta sobre a importância dos valores humanos, e de como eles é que podem, sim, revolucionar a vida de uma pessoa. O crescimento que se tem quando isso acontece é fabuloso.
Quando a pessoa se conhece e se apropria da sua história de vida, ela corre atrás dos seus sonhos e tem muito mais chances de ser feliz. Acaba descobrindo que não dá para ser igualzinha à modelo ou atriz global, a beleza acaba sendo apenas externa e não aflora de dentro.
Sabe-se que a atividade física libera endorfinas, melhora a disposição geral, inclusive o desejo sexual. Mas o que se discute aqui é o exagero e a busca obsessiva do corpo perfeito.
A mulher que assume o seu rosto com humor consegue viver com menos ansiedade e mais prazer. Ela até pode fazer algum procedimento cirúrgico em certa idade, buscar amenizar as marcas do tempo, mas não é obsessiva em relação a isso. Como disse outro dia uma amiga espirituosa: ''Levei tanto tempo para conseguir essas marcas no rosto, que falam da minha história e da minha vida, que não vou me livrar delas tão rápido, não''. O nosso rosto conta sobre nossas histórias mostra como levamos e sentimos a vida.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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