A questão da relação bancos/clientes é debatida há muito tempo pela população que se utiliza da prestação de serviços da rede bancária convencional no que diz respeito à forma unilateral como tal relacionamento acontece, haja visto os resultados apresentados pelos bancos brasileiros.
No Brasil, há mais de 100 anos, as cooperativas de crédito vêm prestando serviços financeiros à população com muita competência e qualidade, além de já disponibilizar aos seus associados toda a tecnologia hoje encontrada no sistema financeiro. Contudo, percebe-se um grande desconhecimento das pessoas a respeito desta importante opção, democrática por sua própria natureza, já que, nos países mais desenvolvidos as cooperativas de crédito já adquiriram uma representatividade importantíssima em seus sistemas financeiros havendo, inclusive, países em que a maior parte de seu PIB é movimentada nestas instituições.
Ao analisarmos os acontecimentos do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos, verificamos uma forte tendência de concentração neste setor onde temos os grandes bancos incorporando aquelas instituições de menor porte, surgindo aí o risco de tal segmento transformar-se muito em breve em um oligopólio. Tal situação é tão verdadeira que o Banco Central editou a circular nº 3.106 que criou um novo modelo de cooperativa de crédito, a de livre admissão, da qual todas as pessoas físicas e jurídicas de todos os segmentos da economia podem dela participar e, assim, se beneficiar das vantagens obtidas em uma instituição financeira de natureza cooperativa. Tal atitude demonstra que o governo federal enxerga nas cooperativas de créditos o grande instrumento de combate à concentração mencionada anteriormente e os riscos inerentes a ela.
Ao optar por associar-se a uma cooperativa de crédito o cidadão passará a ter à sua disposição toda uma gama de negócios e produtos financeiros com a mesma competitividade daqueles encontrados atualmente na rede bancária convencional havendo, entretanto, o aspecto da relação cooperativa. Isto implica em uma mudança radical nesta relação, pois, em uma cooperativa de crédito sempre ''sentam-se à mesa'' a instituição financeira e o seu associado/acionista para a realização de negócios, permeando sempre este relacionamento a visão de se estar negociando com um dos donos do negócio. Disto resulta o diferencial fundamental de que, ao encerrar o seu balanço anual, a instituição financeira cooperativa possibilita ao seu associado participar da distribuição de seus resultados, ou seja, ao final os dois lados saem ganhando: a cooperativa, por conta do seu resultado positivo, se fortalece criando condições de fazer ainda mais por seu associado e este, além de já ter se beneficiado através de negócios mais interessantes ao longo do ano, participa concretamente de tal resultado.
LUIZ GASTÃO PINTO JÚNIOR é gerente regional do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) Norte do Paraná em Londrina

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