ESPAÇO ABERTO - Contraditório
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 2004
Ricardo Gonçalves Strenger 
A Sociedade Rural do Paraná (SRP) deve ser uma entidade de representação de classe, que atue politicamente em defesa da agropecuária do Paraná, e não apenas uma promotora de eventos. Há necessidade de nos aproximar das entidades constituídas e da sociedade. Hoje a nossa entidade está afastada e fechada sobre si mesma e o que é pior, apenas para um grupo.
Diz o atual presidente: ''...se não houver uma maior contribuição do poder público nas próximas edições, a tendência é a Exposição caminhar cada vez mais para a área de negócios - que, afinal, são o objetivo principal do evento''.
Nossa preocupação é enorme com esta colocação, pois temos que absolutamente nos afastar da dependência econômica do Estado, para que possamos nos posicionar politicamente de maneira forte, pontual e sem comprometimento, nos momentos em que os interesses sejam conflitantes. Não tem ocorrido esta atitude da SRP, talvez por estar muito próxima do governador, o que, aliás, não traz benefício.
Não queremos que a Exposição se torne apenas ''negócios'' pois esta não é a essência dela. O fundamental é a integração com os sócios e a população numa festa de coroamento de nossas atividades, que tem que ter a participação popular para ser legítima. Os negócios são consequência de uma atividade bem-sucedida.
A base de apoio da SRP tem que ser ampliada, para que efetivamente represente toda a agropecuária paranaense, temos que nos aproximar dos institutos de pesquisa e difusão de tecnologia. Firmamos já o compromisso, de quando a chapa Novos Rumos assumir, de darmos ênfase à Ruraltech e ampliarmos significativamente a Via Rural.
Buscaremos fórmulas, e já temos algumas, de ampliar a participação popular com um novo formato que será dado à Exposição. O público pagante da última, aliás, não divulgado, foi muito pequeno.
Há alguns anos a entidade vem se tornando frouxa e fria em relação aos problemas diários de nossa atividade. Não vimos nesta última gestão qualquer contestação pontual aos acontecimentos diários da agropecuária paranaense e brasileira. Houve colocações tardias que na prática em nada resultaram.
Estou orgulhoso que o discurso do atual presidente tenha mudado após tomar conhecimento de nossas idéias e propostas e se colocou ao lado destes, pois nos últimos dois anos em que foi presidente e nos quatro anos anteriores como vice-presidente, nunca se posicionou como nos últimos dias, talvez seja tarde ou, antes tarde do que nunca. A sociedade paranaense não pode mais ter a visão de uma entidade posicionada apenas nas colunas sociais.
O orgulho que o presidente da SRP tem com a vinda do presidente Lula na Exposição do ano passado, além de negativa, foi evidentemente um fato fortuito e oportunista do presidente do Brasil que assumia e queria divulgar uma imagem de pacificador. Na Exposição deste ano tivemos apenas a presença do governador do Paraná. Nestas oportunidades o presidente da SRP não colocou as reivindicações da classe, como outras entidades têm feito. A nossa posição não é de oposição sistemática, mas sim, de alertar os governantes no momento oportuno.
Os governantes têm menosprezado o agropecuarista brasileiro, que não consegue agregar valor ao seu produto, que é usado para gerar exportações monumentais com lucros gigantescos dos outros elos da cadeia do agronegócio. Há uma forte contradição entre as palavras atuais do presidente da SRP e suas ações. Contradito o contraditório.
RICARDO GONÇALVES STRENGER é candidato à presidência da Sociedade Rural do Paraná


