A se levar a sério a tese do secretário dos Transportes, Valdyr Pugliese, de que a precariedade das rodovias do Paraná é ''fruto da existência do pedágio'', alguns aspectos precisam ser levados em conta.
O primeiro é o desencontro de declarações do próprio governo do Estado, que, de um lado anuncia a ampliação de malha pedagiada do Paraná com o chamado ''pedágio de manutenção''; e de outro, acusa o pedágio de ser o vilão da vida dos paranaenses.
O segundo é acreditar que os transportadores preferem destruir seus caminhões transitando por estradas esburacadas e sem segurança, colocando em risco suas cargas e vidas, ao invés de usarem as estradas administradas pelas concessionárias.
O terceiro, é afirmar sempre que os governos anteriores erraram em tudo que fizeram e que o atual faz tudo certo, muito embora não disponha de recursos técnicos e nem financeiros para resolver a situação.
Infelizmente, é comum ao ser humano esquecer rapidamente tanto as promessas quanto as realizações de políticos e administradores públicos. O mesmo acontece com os padrões de qualidade, é fácil esquecer o carro velho quanto se pode ter um mais potente e confortável.
Da mesma forma, é muito fácil para os detratores do programa de concessões de rodovias do Estado do Paraná tecerem críticas descabidas contra as empresas que operam as rodovias concedidas. Eles esqueceram com muita facilidade o lastimável estado em que se encontravam as estradas federais e estaduais hoje administradas pelas concessionárias. Os registros que dispomos, em fotos e vídeos da situação destas estradas antes do pedágio, deveriam ser mostrados para toda a população em todos os momentos que se faz uso político do tema pedágio.
Precisamos parar de iludir o povo do Paraná com emulações e procurar agir de maneira clara e objetiva para a solução dos problemas das estradas. Hoje, no mundo todo adota-se o pedagiamento de rodovias como solução para a infra-estrutura rodoviária em parceria com a iniciativa privada, exatamente porque essas empresas, além de deter tecnologia para isto, têm capacidade para alavancar os recursos necessários para viabilizar obras, operação e manutenção das estradas.
Não fosse a existência do Anel de Integração do Paraná nestes sete anos, o nosso Estado hoje não seria reconhecido como grande produtor agrícola e industrial.
JOÃO CHIMINAZZO NETO é diretor da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR) em Curitiba

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