Melhor do que o termo reforma agrária seria falar-se de um grande projeto de condomínios agrários, para fixação dos colonos que não dispõem de terra e que habitam debaixo das lonas dos acampamentos. Esses núcleos seriam administrados por cooperativas agrícolas e geridos não por militantes político-ideológicos, que nada entendem de cultivo e dos negócios do campo, mas por especialistas. Contariam com terra em dimensão suficiente não apenas para subsistência, mas para gerar lucro e transformar-se em sustentável atividade econômica e assim converter o agricultor e a família em miniempresários rurais.
A infra-estrutura dos condomínios compreenderia assistência técnica, habitação, assistência de saúde e educacional, equipamentos de convivência comunitária, facilidades de escoamento da produção, orientação para comercialização de seus produtos, cursos de formação profissional sobre lidas agrárias e outras exigências do setor. Para este último item pode-se contar com a estrutura de alta eficiência já existente, que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
De forma alguma dará certo - e citamos apenas um exemplo - o sistema adotado pelo Incra no loteamento de parte da fazenda Itamaraty, que praticamente fracassou porque houve queda de produção nestes três anos de existência. Muitos lotes estão sendo vendidos pelos assentados, porque não se sabe até que ponto eles tinham conhecimentos e vocação agrícolas, e também porque não lhes foi dada assistência. Grupos começaram a brigar pelo comando político - conforme denunciou Xico Graziano, ex-presidente do Incra, em artigo na imprensa.
E agora, com a compra pelo governo do restante da fazenda, haverá cotas de colonos para MST, Fetag, CUT e Federação da Agricultura Familiar, e que naturalmente serão tutelados por esses grupos. O que deveria ser um projeto técnico converte-se em esquema político, e com o respaldo do governo. Condomínios agrários afastariam essas mazelas ideológicas e este verdadeiro sistema de dominação, como se sem-terra fossem propriedade daqueles movimentos.
Tais agrupamentos condominiais, como estamos propondo, seriam implantados não em terras já ocupadas e em franca produção, mas em áreas dispersas em todo o Brasil, entre as que o governo já possui e nas que adquiriria. Ademais, esta seria uma forma de ocupação de certas regiões e assim preservar a segurança nacional. O Paraná, por exemplo, já não dispõe de estoque de terras para programas de reforma agrária, a menos que se desaloje agricultores já instalados, como costuma fazer o MST. A questão da terra não é difícil de resolver, mas torna-se complexa porque o governo, afinado com esses movimentos, imagina que são eles que irão dar solução a um programa de tão alta relevância. Esta é tarefa para gente experimentada.

EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina, e presidente do Conselho das Sociedades Rurais do Paraná

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