ESPAÇO ABERTO - Como administrar a vida a dois?
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 2004
Moacir Costa 
São bem conhecidas as dificuldades de se morar nas grandes cidades, onde o ritmo das pessoas é acelerado em todos os sentidos.
O dia-a-dia de intenso trabalho, as horas enervantes no trânsito e a ocupação com as exigências e necessidades dos filhos faz com que o casal tenha muito pouco tempo para a convivência. E nessa trajetória o casamento vai se desgastando, adquirindo pouca vibração e quase nenhum envolvimento.
O casal, mais consciente das suas dificuldades afetivas, começa a se dar conta desse desgaste, e a intolerância e a irritabilidade passam a fazer parte do cotidiano, fazendo com que briguem por motivos corriqueiros e banais.
Um exemplo conhecido dessa falta de envolvimento é o de casais que já não se beijam há tempos, exceto um ''selinho'' nas chegadas e despedidas para o trabalho. Eles evitam sair sozinhos pelo fato de não ter muito que conversar. Às vezes nem brigam, são bons amigos e a relação entre eles é bastante fraternal.
Muitos passam meses sem ter relação sexual, e quando um deles reclama, o ato acontece, mas de forma biológica, mecânica, sem emoções e até sem prazer.
Um e outro, se não pararem para prestar atenção no que está acontecendo e continuarem a se mostrar indiferentes mutuamente, com certeza terão maus momentos num futuro próximo.
O que fazer quando a intimidade acaba e a monotonia e a indiferença tomam conta do relacionamento?
É fundamental que o casal não se acomode nessa situação e passe a conversar mais para buscar as raízes da falta de vibração que está havendo entre eles. A partir daí poderão surgir novas idéias ou propostas para aquecer a relação entre o casal.
As surpresas em geral agradam: mimos, programas inéditos e bilhetes amorosos são sempre bem-vindos. Planejar uma pequena viagem, mesmo num final de semana (sem os filhos) favorece o clima de aproximação e dessa maneira voltam a namorar.
Enfim, tudo que seja capaz de alimentar o desgastado relacionamento é válido, fazendo com que o prazer de estar na companhia do outro reacenda a alegria, tornando o sexo mais ''quente''. Quando todas essas tentativas não dão resultado, o melhor é o casal buscar ajuda psicológica para entender a extensão do desgaste e visualizar o melhor caminho para a reaproximação, ou separação.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


