ESPAÇO ABERTO - Clonagem terapêutica: uma polêmica em curso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de setembro de 2004
Roger Abdelmassih 
Em todo o mundo, as discussões sobre a clonagem de embriões para fins terapêuticos continuam e as posições não são convergentes. Na Inglaterra, a Câmara dos Lordes adotou caminho oposto ao dos Estados Unidos, aprovando o direito dos cientistas do Reino Unido produzirem embriões humanos para experimentos científicos. No Brasil, os senadores continuam debatendo a reformulação da Lei da Biossegurança. Os nossos deputados e senadores precisam entender a importância do estudo e do potencial dessas células-tronco (aquelas que ainda não possuem diferenciação e podem se transformar em qualquer outra célula do corpo, como a do fígado, coração ou nervosa, além de formar tecidos) para que a clonagem terapêutica receba tratamento legal.
A clonagem para fins terapêuticos está ligada à possibilidade de se liberar pesquisas com células-tronco que, futuramente, poderão abrir caminhos para o tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e câncer. Sob essa ótica, posições como a do presidente Bush e de alguns parlamentares brasileiros soam excessivamente radicais, em especial, neste momento em que a ciência começa a se desenvolver nessa área. Como prever os prejuízos que a interrupção desses estudos poderá causar futuramente à medicina e à humanidade? Como calcular quantas vidas poderão deixar de ser salvas?
O transplante de medula óssea utilizado no tratamento de algumas formas de câncer é o exemplo mais comum dessa nova modalidade de transplante. As células-tronco são retiradas da medula óssea ou do sangue periférico do cordão umbilical de doadores ou do próprio paciente. Preferencialmente, o doador deve ser compatível com o receptor. A dificuldade de se encontrar pessoas compatíveis e, mais ainda, de encontrar doadores dispostos a saírem de casa por livre e espontânea vontade causa um problema gravíssimo: muitos pacientes passam anos na fila, à espera de um transplante. A clonagem terapêutica abre novas perspectivas de tratamento para pacientes dessas e muitas outras doenças.
Apesar de toda polêmica envolvendo a clonagem terapêutica, na verdade, essa técnica até o momento não passa de uma possibilidade promissora para a humanidade.
ROGER ABDELMASSIH é médico especialista em reprodução humana em São Paulo e autor do livro ''Tudo por um Bebê''


