Londrina se espanta quando pesquisas eleitorais apontam preferências do eleitorado, invertendo posições de apenas uma semana atrás. São Paulo deu um exemplo ao Brasil, ao rejeitar um ex-governador e ex-prefeito envolvido em irregularidades, derrotando-o fragorosamente. Por que Londrina não fez o mesmo?
As irregularidades são evidentes, o prejuízo ao município foi enorme, não apenas com os desvios até hoje não-explicados, como com dívidas junto ao INSS e investimentos de baixo retorno. Então, por quê? Acredito que devemos analisar isto tudo no campo da sociologia. A Teoria das Necessidades Humanas Básicas indica: a) necessidades fisiológicas e de segurança são mais fortes e prementes, e b) depois vem as demais necessidades (status, afeto, auto-expressão) conforme cada indivíduo.
Quais são as necessidades mais prementes da maioria do eleitorado londrinense? Quais são seus sofrimentos e angústias? O que o eleitorado deseja? A resposta óbvia será: miséria, fome, doença, desemprego, desespero, angústia, abandono, falta de esperança.
O acelerado processo de urbanização ocorrida após no final dos anos 70 e a acomodação do Paraná no papel de ''celeiro do Brasil'', produtor e exportador de commodities, culturas concentradoras de riqueza e geradoras de pobreza produziu um Paraná dividido com lideranças políticas fracas que não se aglutinam e sem força reivindicatória.
As nossas lideranças empresariais são reduzidas e egoístas e as lideranças intelectuais são escassas ou ausentam-se, sendo substituídas por oportunistas de plantão, de visão míope e mentalidade imediatista.
Com uma criança ao colo o candidato diz ''o papai paga caro o aluguel? Então eu vou dar uma casa pro papai, tá?'' Dar uma casa? Claro, a casa vai ser construída, mas quanto vai custar, como será paga e o devido IPTU, isso o candidato não explica.
O atendimento à saúde não resolve a fome e o desemprego; a promessa de mais uma universidade não gera a mão-de-obra necessária (uma escola técnica sim), carta de motorista grátis (sic), promessas fáceis, que ficam no imaginário ... depois, um afago, um abraço na velha eleitora carente de afeto ... e está feito o jogo.
Não devemos procurar culpados, devemos procurar soluções.

LUIZ ANTÔNIO FELIX é professor universitário em Londrina

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